Operação Make Up

Mário Frias é apontado como líder em esquema de desvio de emendas para filme de Bolsonaro, diz Dino

Decisão do ministro Flávio Dino baseou-se em dados da Justiça de SP e relatórios da CGU que apontam irregularidades e conexões com facção criminosa

Por Camila Almeida 13/09/2026 às 18:30 2 min de leitura

O uso de recursos públicos destinados à saúde e infraestrutura para financiar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro colocou o deputado federal e ex-secretário da Cultura Mário Frias no centro de uma investigação do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o ministro Flávio Dino, há fortes indícios de que o parlamentar exerceu papel de liderança em um esquema criminoso de desvio de emendas parlamentares voltado para a produção do longa Dark Horse.

A conclusão foi alcançada após o relator analisar provas repassadas pela Vara de Organizações Criminosas da Justiça de São Paulo e relatórios de auditoria federal.

Operação Make Up e alvos da Polícia Federal

Com base no avanço das apurações, o STF autorizou a deflagração da Operação Make Up, executada pela Polícia Federal com o cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e Distrito Federal.

Além de Frias, que assina como um dos roteiristas da produção cinematográfica, a operação mirou a empresária Karina Gama e entidades ligadas ao grupo:

  • Volume de recursos: repasse sob suspeita de R$ 2 milhões originados de emendas parlamentares do próprio deputado.
  • Entidades intermediárias: o dinheiro foi direcionado ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à Academia Nacional de Cultura (ANC), ambas registradas em nome de Karina Gama.
  • Apuração da CGU: relatórios da Controladoria-Geral da União confirmaram as inconformidades na aplicação dos recursos públicos.

Suspeita de conexão com o crime organizado

O desdobramento mais grave apontado pelo ministro Flávio Dino em seu despacho envolve a ramificação do esquema de corrupção com o crime organizado.

De acordo com as investigações remetidas pela Justiça paulista, o modelo de desvio de verbas das emendas parlamentares utilizava estruturas e organizações diretamente vinculadas à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), ampliando o alcance das apurações no STF.

*Sob supervisão de Gene Lannes

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