Opinião

Herança de amor

Por Valdemar Félix 16/07/2026 às 07:54 2 min de leitura

Há emoção difícil de explicar quando os menores repetem nomes da família.

Chamam o avô, o bisavô, identificam parentes e começam a compreender, ainda de forma vaga, que pertencem a uma história maior do que eles.

Ao ouvir esses nomes na boca infantil, sentimos que a memória ganhou novo abrigo.

O que antes parecia apenas passado reaparece no presente com voz nova.

E assim a família segue, não apenas no sangue, mas também na lembrança.

Dos meus bisnetos, só a caçula de apenas dois anos me chama de biso, e não pelo meu nome próprio.

Fico alegre em saber que ela já me reconhece, assim como reconhece tias, tios, primas e primos.

Também a pedagogia infantil é bem diferente dos tempos antigos.

Outrora, comemorávamos nossos aniversários em casa, com tudo preparado pela mamãe.

Hoje, existem empresas especializadas para organizar o aniversário dos pequenos, com palhaços, brinquedos e tema da festa de acordo com a idade do homenageado.

Piquenique foi o convite do aniversário do meu último bisneto.

Eles ganham muitos presentes comprados nas lojas da cidade.

Quando eu era criança, tudo era mais simples, e os presentes, em sua maioria, eram artesanais.

Os antigos estavam acostumados com crianças de todas as idades e não achavam estranho ser chamados de pai, avô ou bisavô.

Confesso que senti algo especial com a chegada do primeiro neto.

Tirei fotografia, escrevi poesia, respondia com ar desconcertado quando me perguntavam sobre ele.

Imagine a minha felicidade quando aquela criaturinha descobriu que eu era seu avô!.

Melhor ainda foi quando ela se entregou em meus braços, demonstrando segurança e carinho.

Com os bisnetos, a emoção voltou renovada.

Eles chegam depois de uma longa caminhada da vida, como flores tardias no jardim da família.

Não sabem ainda o que representam, mas trazem consigo a continuidade do nosso nome, dos nossos afetos e da nossa história.

Cada vez que uma criança pronuncia biso, alguma coisa dentro de mim se ilumina.

É a vida dizendo, com voz pequena, que ainda há futuro.

E assim a família cresce na lembrança, no sangue e no amor.

Gabriel Novis Neves é médico, ex-reitor da UFMT e ex-secretário de Estado

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