meta fiscal em 2027

Governo terá de cortar ao menos R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027 para bancar promessas de campanha

Para incluir o reajuste do Bolsa Família e novos programas sem estourar as contas públicas, equipe econômica revisa gastos e estuda usar folga do INSS

Por Camila Almeida 02/11/2026 às 10:00 2 min de leitura

A conta do pacote de promessas feito durante a corrida eleitoral chegou ao planejamento financeiro do país. Para garantir o reajuste de benefícios sociais e colocar em prática novas propostas sem estourar o limite de gastos, o governo federal terá de fazer uma verdadeira “engenharia financeira” no Orçamento de 2027, remanejando pelo menos R$ 20 bilhões de outras áreas.

O conjunto de compromissos assumidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode gerar um impacto total entre R$ 53,6 bilhões e R$ 82 bilhões nas contas públicas no próximo ano.

O custo dos novos compromissos sociais

Como os valores não foram totalmente previstos na versão inicial da proposta orçamentária, a equipe econômica corre contra o tempo para encaixar os seguintes programas:

  • Reajuste do Bolsa Família: Custo estimado de R$ 22 bilhões;
  • Ampliação do Pé-de-Meia: Impacto projetado em R$ 2 bilhões;
  • Programa Desenrola 3.0: Previsão de R$ 5 bilhões;
  • Pix MEI: Custo de R$ 1 bilhão.

De onde virá o dinheiro?

As negociações para redistribuir os recursos federais começaram na última semana de outubro e são lideradas pelos ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento).

Uma das principais alternativas em estudo para bancar o aumento do Bolsa Família é o remanejamento da verba antes reservada para reduzir a fila de espera do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A avaliação do governo é que a redução na projeção das despesas previdenciárias liberará a folga necessária para cobrir o benefício.

Meta fiscal em risco e alta da dívida

A grande prioridade do Ministério da Fazenda é preservar a meta fiscal de 2027, que prevê um resultado positivo (superávit primário) de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 73,2 bilhões, com uma margem mínima permitida por lei de R$ 36,6 bilhões.

Inicialmente, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) previa uma folga de R$ 10,1 bilhões acima da meta central. No entanto, o surgimento de novas despesas consome essa margem em um momento delicado: em setembro, a dívida bruta do governo geral atingiu 82,9% do PIB, somando R$ 11,1 trilhões segundo o Banco Central.

*Sob supervisão de Gene Lannes

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