Governo investe R$ 12,5 bilhões só em setembro para segurar preço dos combustíveis nas bombas
Guerra no Oriente Médio força União a ampliar desonerações e subsídios para evitar explosão da inflação nos postos de todo o país

Segurar os preços dos combustíveis e proteger o bolso do consumidor brasileiro contra os reflexos da crise geopolítica no Oriente Médio vai custar caro aos cofres públicos. O novo pacote de medidas anunciado pelo governo federal terá um custo mensal estimado em R$ 7 bilhões, valor que engloba o corte de impostos para a gasolina e o etanol, além do subsídio direto pago ao óleo diesel.
Com a disparada do barril do petróleo Brent acima dos US$ 101 no mercado internacional, a estratégia da equipe econômica busca criar uma blindagem temporária para conter a inflação interna.
Como a conta dos combustíveis se divide
O montante mensal de R$ 7 bilhões anunciado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento está distribuído entre renúncia fiscal e desembolso direto para cobrir o desconto nas bombas:
- Gasolina e Etanol (R$ 2 bilhões/mês): com o corte de R$ 0,63 de PIS/Cofins na gasolina e a isenção total para o etanol hidratado, a União deixa de arrecadar R$ 2 bilhões no período de 10 de setembro a 9 de outubro.
- Novo Subsídio do Diesel (R$ 5 bilhões/mês): a compensação de R$ 1,00 por litro paga a produtores e importadores deve consumir R$ 5 bilhões só no mês de setembro, valor que pode ser revisado a cada 30 dias.
Conta acumulada em 2026 ultrapassa R$ 37 bilhões
Somando o novo pacote às medidas que já estavam em vigor, como a subvenção do diesel que vence no final do mês, a fatura paga pelo governo para conter os preços atinge R$ 12,5 bilhões somente em setembro.
O esforço financeiro já vinha pesando nos cofres da União ao longo de todo o ano. Entre março e agosto, o país gastou ou deixou de arrecadar R$ 25 bilhões com ações de controle de preços. Com o novo pacote, o impacto total acumulado em 2026 salta para R$ 37,5 bilhões.
Blindagem contra a alta internacional
O Palácio do Planalto reforça que a intervenção é necessária devido à volatilidade extrema no exterior. De acordo com o governo, a política de contenção tem surtido efeito prático no comparativo global: enquanto o diesel recuou 6% no mercado brasileiro durante o período de conflito, no mercado europeu, como na Alemanha, o combustível registrou alta de 25%.
*Sob supervisão de Gene Lannes


