Governo Federal aprova R$ 45,2 milhões para enfrentar seca e queimadas no Amazonas
Do total de planos aprovados, 31 são destinados ao enfrentamento dos incêndios florestais e 16 ao atendimento das consequências da falta de chuvas

O Governo Federal aprovou R$ 45,2 milhões para ações de enfrentamento aos incêndios florestais e aos efeitos da estiagem no Amazonas. Os recursos foram autorizados por meio de 47 planos de trabalho analisados pela Defesa Civil Nacional. Ao todo, 48 municípios estão com reconhecimento federal de situação de emergência, enquanto o número de reconhecimentos chega a 66, considerando localidades que enfrentam mais de um tipo de desastre.
Do total de planos aprovados, 31 são destinados ao enfrentamento dos incêndios florestais e 16 ao atendimento das consequências da falta de chuvas. Em 21 de outubro, o montante autorizado era de R$ 32,5 milhões, distribuídos em 25 planos. Cinco dias depois, houve um acréscimo de R$ 12,7 milhões, acompanhando a ampliação das solicitações encaminhadas ao governo federal.
A estiagem tem provocado dificuldades de deslocamento e abastecimento, principalmente para comunidades indígenas e ribeirinhas que dependem dos rios para chegar aos centros urbanos, transportar alimentos e receber atendimento médico. Com a redução do nível das águas, algumas rotas ficam comprometidas, elevando os custos de transporte e dificultando o acesso a serviços essenciais.
O Ministério da Saúde informou que o baixo nível dos rios já provocou o isolamento de comunidades. Para reforçar o atendimento, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde foi mobilizada, com envio de uma equipe federal ao estado em 11 de outubro e instalação de uma base operacional em Manaus. Até o dia 20, 43 municípios haviam encaminhado informações ao sistema de monitoramento da operação.
Os incêndios florestais também preocupam pelas consequências para a saúde pública e o meio ambiente. Em Manaus, a concentração média diária de partículas finas MP2,5 atingiu 99 microgramas por metro cúbico em 8 de outubro, com pico horário próximo de 235 microgramas por metro cúbico, conforme informações divulgadas pelo Ministério do Meio Ambiente e pela Fiocruz. A fumaça pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com condições de saúde preexistentes.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais apontaram 644 focos de calor no Amazonas entre 1º e 7 de outubro, contra 277 no mesmo período de 2025, um aumento de aproximadamente 132,5%. Os registros indicam intensificação das ocorrências, embora não correspondam necessariamente a incêndios distintos nem permitam determinar diretamente a área destruída.
Além dos danos à vegetação e à fauna, a crise pode afetar atividades econômicas que dependem do transporte fluvial. A redução da navegabilidade dos rios Amazonas, Madeira e Tapajós representa um risco logístico para o deslocamento de mercadorias e o abastecimento regional. Entretanto, ainda não há dados oficiais consolidados sobre perdas financeiras provocadas pela estiagem de 2026 ou comprovação de paralisação generalizada da atividade industrial no estado.
O Governo Federal também informou que operações de combate ao fogo contam com aeronaves, embarcações, veículos, profissionais e equipamentos para atender áreas de difícil acesso. Segundo o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, novas demandas poderão ser atendidas conforme os planos apresentados pelos governos municipais e estadual.
A solicitação dos recursos ocorre pelo Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), por meio do qual as prefeituras registram as necessidades e apresentam planos de trabalho submetidos à análise técnica. A aprovação dos valores, porém, não significa que todo o dinheiro já tenha sido transferido ou utilizado pelas administrações beneficiadas.
O montante autorizado representa uma resposta emergencial, mas ainda não há levantamento consolidado do número total de famílias atingidas, da área florestal destruída ou dos prejuízos acumulados pelas atividades econômicas. A dimensão dos impactos dependerá de avaliações sobre as condições de saúde, o abastecimento, as perdas produtivas, os custos logísticos e os danos ambientais.


