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Gaeco interroga vereadores de Várzea Grande em inquérito sobre propina, cárcere privado

O relato aponta que o local era monitorado por seguranças armados e que quantias em dinheiro teriam sido utilizadas para garantir votos favoráveis à chapa vencedora.

Por Eder Pereira 03/06/2026 às 18:30 2 min de leitura

O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) avançou nas investigações sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande. Na última semana, vereadores que integraram a base de apoio à reeleição do presidente da Casa, Wanderley Cerqueira (MDB), prestaram depoimento em um procedimento que corre sob sigilo.

A investigação apura possíveis crimes de ameaça, extorsão, chantagem, corrupção ativa e cárcere privado relacionados ao processo eleitoral interno do Legislativo municipal. Os trabalhos são conduzidos pelo coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Adriano Roberto Alves.

Segundo denúncia encaminhada ao Ministério Público, parlamentares teriam permanecido em uma chácara localizada no distrito da Guia durante os dias que antecederam a votação da Mesa Diretora. O relato aponta que o local era monitorado por seguranças armados e que quantias em dinheiro teriam sido utilizadas para garantir votos favoráveis à chapa vencedora.

Além das suspeitas envolvendo a eleição da Câmara, os investigadores também apuram um suposto acordo relacionado ao processo de privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande, que incluiria o pagamento de vantagens indevidas.

Outro ponto sob análise é a denúncia de que o controle do Legislativo faria parte de uma estratégia para viabilizar um eventual processo de cassação da prefeita Flávia Moretti (PL). Com a renúncia do vice-prefeito Tião da Zaeli, ocorrida em março, o presidente da Câmara assumiria a chefia do Executivo em caso de afastamento da gestora.

O cenário político ganhou novos contornos após o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), anular a eleição que reconduziu Wanderley Cerqueira à presidência da Câmara para o biênio 2027/2028. A decisão considerou que a votação foi realizada fora dos parâmetros estabelecidos pela Corte para eleições antecipadas das mesas diretoras.

Com a anulação, a Câmara Municipal deverá convocar uma nova eleição para definir o comando do Legislativo. Entre os nomes cotados para disputar a presidência estão o próprio Wanderley Cerqueira e o vereador Lucas Chapéu do Sol (PL), aliado da prefeita Flávia Moretti.

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