Escola do campo transforma plantas do Cerrado em pomadas naturais e incentiva a ciência
Mais do que produzir pomadas, a experiência transforma a escola em um espaço de descobertas, inovação e valorização da identidade local.

Em uma escola do campo, a riqueza do Cerrado se transforma em conhecimento, pesquisa e novas possibilidades de aprendizagem. Em Barra do Garças, estudantes da Escola Estadual de Campo Heronides Araújo participam de um projeto que utiliza plantas da região para desenvolver seis tipos de pomadas naturais, unindo saberes tradicionais, educação ambiental e ciência.
A iniciativa, chamada Pomadas Fitoterápicas do Cerrado Mato-Grossense, conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso, a Fapemat. As preparações são voltadas a diferentes finalidades, como cuidados com a pele, desconfortos musculares, proteção contra insetos, cuidados respiratórios, cabelo e cicatrização. Entre os ingredientes utilizados estão partes das plantas, como folhas e estruturas subterrâneas, além de cera de abelha.
O projeto tem um significado especial para a comunidade escolar, localizada a cerca de 110 quilômetros do centro da cidade. A proposta é valorizar os conhecimentos transmitidos entre gerações e mostrar aos estudantes como a experiência das famílias pode dialogar com a investigação científica.
Além do contato com a biodiversidade, os alunos colocam em prática conteúdos aprendidos em sala de aula. Na Matemática, por exemplo, trabalham com pesos, medidas, proporções e cálculos envolvendo gramas e mililitros. A atividade também estimula a criatividade, a autonomia, a responsabilidade e o interesse por novas possibilidades profissionais.
A iniciativa ainda reforça a importância da preservação ambiental e do uso responsável dos recursos naturais. Ao investigar as plantas do Cerrado, os estudantes aprendem a reconhecer o valor da biodiversidade e da cultura regional.
Mais do que produzir pomadas, a experiência transforma a escola em um espaço de descobertas, inovação e valorização da identidade local. O projeto mostra que a ciência pode nascer da realidade dos próprios estudantes, aproximando o conhecimento escolar da natureza e dos saberes tradicionais da comunidade.


