DHPP apura possível violência de gênero e histórico familiar após pai matar filha de 12 anos em Cuiabá
Durante a coletiva, a delegada Jéssica Assis informou que a investigação não ficará restrita ao momento da agressão

A morte de uma adolescente de 12 anos, supostamente provocada pelo próprio pai, está sendo investigada pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) sob diferentes linhas de apuração. Durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira, os delegados Jéssica Assis e Nilson Farias detalharam os primeiros elementos levantados no caso.
Segundo Nilson Farias, o crime aconteceu entre o final da tarde e o início da noite. Em depoimento, o suspeito relatou que teria se irritado após encontrar a filha conversando com uma pessoa pelo celular. Conforme a versão apresentada por ele, a intenção seria apenas repreender a adolescente, mas durante a agressão acabou apertando o pescoço da vítima, provocando sua morte.
O delegado destacou que a violência empregada foi incompatível com qualquer tentativa de correção. “Ele afirma que não tinha intenção de matar, mas o nível da agressão demonstra uma violência extrema”, afirmou.
Após o crime, a adolescente foi encaminhada para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos.
Durante a coletiva, a delegada Jéssica Assis informou que a investigação não ficará restrita ao momento da agressão. A DHPP pretende reconstruir todo o histórico familiar da vítima para verificar se existiam situações anteriores de violência doméstica, psicológica ou até mesmo violência vicária, quando filhos são usados como instrumento para atingir emocionalmente a mãe.
Os investigadores irão analisar uma medida protetiva anteriormente concedida à mãe da adolescente para verificar se havia reflexos sobre a proteção da criança e se existiam registros de conflitos familiares que pudessem indicar situações de risco.
A polícia também vai apurar se órgãos da rede de proteção, como Conselho Tutelar e instituições de ensino, receberam notificações ou sinais de violência envolvendo a vítima. O celular da adolescente foi apreendido e será submetido à perícia para auxiliar no esclarecimento dos fatos.
Outra frente de investigação busca identificar com quem a menina conversava antes do crime e se existem informações armazenadas no aparelho que possam revelar episódios anteriores de violência ou controle excessivo por parte do pai.
De acordo com a delegada, a análise será realizada com perspectiva de gênero e proteção integral à criança e ao adolescente. A polícia também não descarta a apuração de outros crimes que eventualmente possam surgir durante o andamento das investigações.
O suspeito foi autuado em flagrante e permanece à disposição da Justiça. As diligências seguem para esclarecer completamente as circunstâncias que antecederam o assassinato da adolescente.


