Crise na FIFA ganha novo capítulo com rebelião interna de diretor contra privatização da Copa
Kevin Lamour acusa presidente de agir de forma isolada em plano bilionário e cenário ameaça candidatura única a poucas semanas do prazo final

A tentativa de transformar os direitos comerciais da Copa do Mundo em um negócio de acionistas privados provocou um incêndio dentro da própria cúpula da FIFA. O diretor de operações da entidade, o francês Kevin Lamour, veio a público acusar o presidente Gianni Infantino de enganar a própria equipe e agir com falta de transparência na criação do projeto bilionário.
O posicionamento expõe uma ruptura histórica na alta cúpula do futebol mundial, somando-se à pressão exercida por confederações internacionais contra a privatização do esporte. A turbulência surge em um momento delicado, podendo abalar o caminho até então tranquilo de Infantino rumo a um novo mandato frente à entidade.
Entenda a crise de bastidores na FIFA
Kevin Lamour afirmou que os funcionários foram vítimas de “desprezo e intimidação”, classificando o plano como “um projeto de uma pessoa só” e cobrando firmeza dos cartolas para barrar a ideia. Apesar dos ataques diretos à gestão, Lamour declarou que não pediu demissão por compromisso com a equipe, mas admitiu saber do risco de demissão.
O estopim interno ocorreu após a renúncia de Carlos Cordeiro, que ocupava o cargo de assessor da presidência. A proposta prevê criar a empresa Fifa Forward Enterprise (FFE) e vender fatias minoritárias dos torneios para investidores. O programa está avaliado em cerca de R$ 102,5 bilhões.
Mandatário da FIFA há mais de uma década, Infantino parecia caminhar sem opositores para a reeleição em março. O prazo para surgimento de novos candidatos se encerra no dia 18 de novembro.
*Sob supervisão de Gene Lannes


