Opinião

Coisas diferentes

Por Valdemar Félix 25/07/2026 às 07:46 3 min de leitura

A democracia é um processo de escolhas conscientes. Em cada eleição, o cidadão recebe o poder de decidir quem administrará recursos públicos, tomará decisões que afetarão milhões de pessoas e definirá os rumos do Estado. Justamente por isso, o debate político não deveria ser dominado por slogans, narrativas ou pela quantidade de eleições que um candidato venceu ao longo da vida.

Vencer eleições demonstra capacidade de conquistar votos. Governar bem demonstra capacidade de entregar resultados. São coisas diferentes.

Ao anunciar uma candidatura ao Governo de Mato Grosso, qualquer agente político precisa apresentar muito mais do que um currículo eleitoral. Precisa demonstrar, com fatos, aquilo que realizou em cada cargo que ocupou. A pergunta que o eleitor deve fazer não é quantas vezes determinado político foi eleito, mas sim, o que mudou para melhor sob sua gestão? Quais problemas históricos foram solucionados? Quais permaneceram sem resposta?

No caso de quem administrou Várzea Grande por três mandatos, é natural que a população analise seu legado administrativo. A cidade convive há décadas com um problema que afeta diretamente a dignidade das famílias, a recorrente falta de abastecimento de água. Trata-se de uma dificuldade histórica, que atravessou diferentes administrações e continua sendo motivo de preocupação para milhares de moradores. É legítimo que o eleitor questione quais medidas estruturais foram implementadas, quais resultados permanentes foram alcançados e por que esse problema ainda persiste.

Esses questionamentos não representam um ataque pessoal. Representam o exercício da cidadania. Quem pretende governar um Estado inteiro deve estar preparado para prestar contas de sua trajetória pública.

Da mesma forma, é importante analisar a atuação legislativa daqueles que exerceram mandatos no Congresso Nacional. Projetos apresentados, relatorias, votações relevantes, fiscalização do Poder Executivo e defesa dos interesses de Mato Grosso são elementos objetivos que permitem avaliar o desempenho parlamentar. O debate político ganha qualidade quando se concentra em resultados concretos e não apenas em discursos.

Também não é razoável que uma campanha seja construída apenas criticando adversários ou explorando narrativas que desviem a atenção daquilo que realmente importa. O centro da discussão deve ser sempre o futuro do Estado, sustentado pela experiência administrativa, pelas propostas viáveis e pelo histórico de realizações.

O eleitor mato-grossense merece conhecer, de forma transparente, os acertos, os erros e os desafios enfrentados por todos os pretendentes ao cargo de governador. Isso vale para qualquer candidato, independentemente de partido ou ideologia. A democracia se fortalece quando a comparação é feita entre resultados, e não entre discursos.

Em política, prestígio não pode ser medido apenas pelo número de vitórias eleitorais. Prestígio verdadeiro nasce da confiança construída por meio de administrações eficientes, serviços públicos de qualidade, responsabilidade na aplicação dos recursos públicos e capacidade de resolver os problemas que realmente afetam a vida da população.

A urna não deve premiar quem simplesmente venceu mais eleições. Deve premiar quem demonstrou, ao longo da vida pública, competência para transformar promessas em realizações e dificuldades em soluções. Esse é o critério que fortalece a democracia e respeita a inteligência do eleitor.

João Batista de Oliveira é ex secretário de governo e comunicação municipal, gestão Mauro Mendes, ex-secretário de governo estadual gestão Blairo Maggi.

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