inclusão produtiva

Botelho recebe projeto projeto voltado à inclusão produtiva de jovens com TEA no mercado de trabalho

Durante encontro em clínica especializada de Cuiabá, deputado conheceu proposta que prevê capacitação prática, geração de renda e preparação de jovens autistas para a vida profissional

Por Valdemar Félix 20/08/2026 às 22:00 6 min de leitura

O deputado estadual Eduardo Botelho (MDB) recebeu nesta quinta-feira (20) um projeto voltado à inclusão produtiva de jovens com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no mercado de trabalho. A proposta, apresentada durante encontro com profissionais da clínica Espaço Vida e Aprendizado, em Cuiabá, busca preparar pessoas neurodivergentes para a vida adulta, estimulando o desenvolvimento de habilidades, a autonomia financeira e a inserção profissional.

Intitulado “O Autista Cresce – Inclusão Produtiva e Futuro”, o projeto tem como público-alvo jovens com TEA a partir dos 14 anos e parte da necessidade de ampliar as oportunidades para essa população além da infância. A proposta prevê capacitação prática, desenvolvimento de habilidades profissionais e sociais, identificação de talentos individuais, estímulo à autonomia e autoestima e preparação para o mercado de trabalho.

Durante a reunião, os profissionais explicaram a Botelho que muitas crianças neurodivergentes contam com acompanhamento especializado durante a infância, mas encontram dificuldades quando chegam à adolescência e à vida adulta, principalmente na qualificação profissional e na conquista de espaço no mercado de trabalho.

O projeto propõe a realização de oficinas práticas, permitindo que os participantes conheçam diferentes atividades e possam identificar aquelas com as quais mais se identificam. Entre as áreas previstas estão horta, cozinha, cerâmica, costura e serviços de limpeza e organização, além de atividades relacionadas à produção, acabamento, embalagem, comercialização e venda dos produtos.

A proposta também prevê que os jovens sejam remunerados de acordo com a produção e a participação nas atividades, incentivando a autonomia financeira e a valorização do trabalho. O objetivo é que, a partir da experiência adquirida, possam ter acesso a oportunidades reais de desenvolvimento, trabalho e independência.

Botelho afirmou que apoia a iniciativa e que vai trabalhar para contribuir para que o projeto avance e possa se tornar realidade.

“Eu apoio essa causa e vou trabalhar nesse projeto para que ele possa se tornar realidade. Nós precisamos ampliar esse olhar para as pessoas com autismo e outras variações cognitivas, principalmente quando chegam à vida adulta. Já temos projetos de lei tramitando na Assembleia que tratam dessa questão e vamos continuar trabalhando para promover inclusão, autonomia e oportunidades”, afirmou Botelho.

O parlamentar destacou ainda que já atua na área por meio de propostas em tramitação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), entre elas a que institui o Programa Estadual de Estímulo ao Empreendedorismo de Mães Atípicas, com o objetivo de promover inclusão social, autonomia econômica e apoio às mães de crianças e adolescentes com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças crônicas.

A sócia-proprietária da clínica Espaço Vida e Aprendizado, Stephanie Menezes Borges, que também é mãe de uma criança atípica de cinco anos, explicou que a proposta surgiu a partir da percepção de uma lacuna existente no atendimento às pessoas neurodivergentes quando chegam à adolescência e à vida adulta.

“Nós entendemos que hoje o foco maior está nas crianças. Até os 10, 11 anos, elas têm atendimento garantido, têm clínicas e diversas modalidades de atendimento. Porém, essas crianças crescem, viram jovens e adultos, e precisam de um local no mercado de trabalho. O nosso foco é pensar no futuro dessas crianças que hoje são jovens e adultos e que estão sem um espaço no mercado”, explicou.

Segundo Stephanie, a intenção é criar um elo entre as pessoas neurodivergentes e empresas dispostas a promover a inclusão profissional.

“Precisamos de cursos profissionalizantes e de uma empresa que consiga ter esse olhar para trazer essas pessoas para os cursos e fazer essa colocação no mercado. A empresa também precisa entender que cada autista tem um DNA, uma especificidade. Todos são únicos e nenhum tem exatamente as mesmas características. Esse olhar também precisa existir dentro das empresas. Esse elo é o que queremos ser hoje”, afirmou.

A sócia-proprietária Aressa Loebel destacou que o projeto também nasceu de uma experiência pessoal e do desejo de preparar os adolescentes para uma vida adulta com maior independência. Mãe de Maria, de 16 anos, ela defende que a preparação para o mercado de trabalho comece antes da chegada à fase adulta.

“Eu sempre sonhei em poder mudar a vida de muitas famílias dentro do espectro. Hoje tivemos a oportunidade de apresentar ao deputado Eduardo Botelho um projeto que nasce junto com a minha filha Maria. O meu sonho é deixar essas pessoas e esses adolescentes prontos para o mercado de trabalho, independentes. O projeto vai fazer esse elo entre a preparação desses jovens para a fase adulta e o mercado de trabalho”, afirmou Aressa.

O psicólogo e diretor clínico Cilas Rondon Duarte também chamou atenção para o crescimento dos diagnósticos relacionados à neurodivergência e para a importância do acesso à informação.

Segundo ele, parte desse aumento está relacionada à maior capacidade das famílias de identificar características do neurodesenvolvimento e buscar avaliação e acompanhamento especializado.

“Hoje as famílias têm mais propriedade e conhecimento. Elas saíram daquela ignorância e passaram a buscar mais informação. Com as redes sociais, o acesso aos médicos e ao conhecimento, conseguimos identificar situações que antes ficavam escondidas. O que antes era escondido hoje está à luz, e isso é positivo porque permite identificar e buscar atendimento de outras maneiras”, avaliou Cilas Rondon.

Durante o encontro, Botelho também relembrou a trajetória de seu irmão, Luiz Marinho, na defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Segundo o deputado, a atuação da família nessa área começou há décadas e inclui iniciativas voltadas à qualificação e à inclusão profissional.

“Estou com meu irmão Luiz Marinho, que tem um grande trabalho prestado aos deficientes. Marinho criou a Associação Mato-grossense dos Deficientes Físicos, começou a construção de oficinas com cursos para inseri-los no mercado de trabalho e tem uma história de luta pelos deficientes. Eu continuo, evidentemente, como deputado, defendendo e destinando emendas para a Associação dos Deficientes, trabalhando e ajudando”, destacou Botelho.

O parlamentar também lembrou do projeto Buscar, de autoria de Luiz Marinho durante o período em que foi vereador por Cuiabá. A iniciativa oferecia transporte gratuito e orientação para facilitar o deslocamento de pessoas com deficiência para o trabalho, escolas, atividades de lazer e atendimentos de saúde.

Para Botelho, a experiência reforça a importância de políticas públicas permanentes voltadas à autonomia e à inclusão das pessoas com deficiência.

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