Mercado Pecuário

Abate de vacas cai 21% e pecuaristas de MT priorizam reprodução

Estado registrou 606,33 mil bovinos abatidos em setembro, queda de 7,61% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo dados do Imea.

Por Matheus Marques 19/10/2026 às 15:00 3 min de leitura

Os pecuaristas de Mato Grosso estão reduzindo o envio de fêmeas aos frigoríficos e mantendo mais vacas nas propriedades para reprodução. Em setembro, o abate de fêmeas adultas, com mais de 24 meses, caiu 21,51% em relação ao mesmo mês de 2025, indicando uma mudança na estratégia dos produtores, que passam a priorizar a produção de bezerros.

Os dados constam no boletim semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), com base em informações do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea). No total, o Estado registrou o abate de 606,33 mil bovinos em setembro, volume 7,61% inferior ao de setembro do ano passado e 0,73% menor que o de agosto.

A redução foi mais expressiva entre as fêmeas. Na comparação anual, o abate de machos caiu 1,67%, enquanto o de fêmeas recuou 15,17%. Entre as vacas adultas, a queda chegou a 21,51%.

Machos e fêmeas seguem tendências diferentes

Na comparação com agosto, o abate de machos cresceu 1,37%, impulsionado pelo envio de animais mais jovens aos frigoríficos. Já entre as fêmeas houve redução de 3,67%, chegando a 7,02% no grupo com mais de dois anos de idade.

O movimento chama a atenção porque as fêmeas adultas representam parte importante das matrizes utilizadas na reprodução do rebanho. Ao manter esses animais nas propriedades, em vez de destiná-los ao abate, os produtores ampliam a possibilidade de produzir novos bezerros.

Período chuvoso pode reforçar retenção de matrizes

Segundo a análise do Imea, a tendência é que a retenção de fêmeas continue nos próximos meses. A chegada do período chuvoso favorece a recuperação das pastagens e coincide com o início da estação de monta, fase em que os pecuaristas concentram os esforços na reprodução dos animais.

Com melhores condições de alimentação e a proximidade do período reprodutivo, a manutenção das matrizes nas fazendas tende a ganhar força. Como consequência, os frigoríficos poderão enfrentar uma oferta mais restrita de fêmeas para abate.

Os dados de setembro mostram que a redução dos abates em Mato Grosso não ocorreu de maneira uniforme. Enquanto os volumes de machos permaneceram mais próximos dos registrados no ano passado, as fêmeas, especialmente as adultas, foram enviadas em menor quantidade aos frigoríficos, sinalizando uma maior prioridade à reprodução do rebanho.

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