Questionamento

Vídeo de dinheiro vivo, pressão política e dúvidas: Caso em VG levanta novas suspeitas

Carlos Alberto alegou que o vídeo é antigo

Por Eder Pereira 06/05/2026 às 17:02 4 min de leitura

A polêmica envolvendo Carlos Alberto de Araújo, “Primeiro Cavaleiro de Várzea Grande”, ganhou força nas redes sociais e rapidamente se transformou em um dos assuntos mais comentados do cenário político de Mato Grosso.

A história, no entanto, começa ainda no período pós-eleitoral. Após a vitória de Flávia Moretti (PL) para a Prefeitura de Várzea Grande, seu marido, Carlos Alberto, foi nomeado secretário de Assuntos Estratégicos durante a fase de transição de governo, decisão que já gerava questionamentos nos bastidores.

Pouco tempo depois, em 28 de fevereiro de 2025, com menos de dois meses de gestão, ele foi exonerado do cargo. A saída não foi apenas administrativa: ocorreu em cumprimento a uma decisão judicial que determinou a exoneração de servidores comissionados com grau de parentesco de até terceiro grau com agentes públicos.

A medida foi resultado de uma ação movida pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso, que apontou a continuidade de práticas de nepotismo mesmo após recomendações anteriores. A ação atingiu não só a Prefeitura, mas também a Câmara Municipal, o DAE-VG e o Instituto de Seguridade Social dos Servidores.

Avançando no tempo, o cenário político já era delicado quando novas tensões surgiram: a prefeita passou a ser investigada pelo Ministério Público por supostos esquemas envolvendo o Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG).

É nesse contexto que surge o vídeo que incendiou o debate público.

Nas imagem, que viralizaram recentemente, Carlos Alberto aparece contando uma grande quantidade de dinheiro em espécie, com maços de cédulas de R$ 50 e R$ 100. O conteúdo foi exibido em programa de televisão e amplamente repercutido, inclusive com comentários de apresentadores, ampliando ainda mais a pressão política.

Créditos: Programa do POP

A reação veio rápida. Em nota, Carlos Alberto repudiou a divulgação, alegando que o vídeo é antigo, foi tirado de contexto e que os valores seriam oriundos de uma “transação comercial da vida privada”.

Mas a explicação não encerrou o assunto, pelo contrário, abriu uma série de questionamentos:

De que transação comercial se trata?
Por que uma quantia tão expressiva em dinheiro vivo?O valor será que foi declaro no Imposto de Renda?
Há conexão temporal ou contextual com o cenário político atual?
E, principalmente, há elementos que justifiquem uma investigação mais aprofundada?

Diante da repercussão e do conjunto de fatos, nomeação, exoneração por decisão judicial, investigações em curso e agora o vídeo, cresce a pergunta nos bastidores políticos e jurídicos:

O caso pode chegar ao Núcleo de Ações de Competência Originária?

O NACO é responsável por conduzir investigações que envolvem autoridades com foro por prerrogativa de função. Caso haja indícios de irregularidades que ultrapassem a esfera administrativa ou privada, caberia ao núcleo avaliar a abertura de procedimento.

Até o momento, não há confirmação oficial de investigação específica sobre o vídeo. Ainda assim, o episódio adiciona mais um capítulo de desgaste político e levanta dúvidas que permanecem sem respostas claras.

Enquanto isso, a opinião pública segue atenta, e a pergunta continua no ar: trata-se apenas de um vídeo fora de contexto ou de mais um elemento que pode aprofundar a crise política em Várzea Grande?

Leia Também

Deixe seu comentário