Fiscalização na saúde

TCE aponta necessidade de ampliar distribuição de talidomida em Mato Grosso

Inspeção identificou concentração do atendimento em Cuiabá e defendeu descentralização do acesso ao medicamento.

Por Matheus Marques 07/05/2026 às 15:00 2 min de leitura

O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso identificou a necessidade de ampliar a rede de distribuição da talidomida, medicamento utilizado no tratamento de reações graves da hanseníase, na região da Baixada Cuiabana.

A constatação ocorreu após fiscalização realizada no Hospital Universitário Júlio Müller, em Cuiabá, na última semana. A inspeção verificou que o fornecimento do medicamento ocorre de forma regular, porém permanece concentrado na unidade hospitalar da Capital.

O trabalho foi conduzido pela Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social do TCE-MT, em conjunto com a 4ª Secretaria de Controle Externo, após denúncia encaminhada à Ouvidoria Geral do tribunal.

Segundo o conselheiro Guilherme Antonio Maluf, o medicamento é estratégico para pacientes que dependem de acompanhamento contínuo e fornecimento sem interrupções. Além do tratamento da hanseníase, a talidomida também é utilizada em doenças como o mieloma múltiplo, tipo de câncer que afeta a medula óssea.

Apesar de não terem sido encontradas falhas no abastecimento, a fiscalização apontou preocupação com a centralização do serviço e a ausência de estrutura mais descentralizada para atender a demanda da região.

Atualmente, Mato Grosso possui 42 unidades habilitadas para a entrega do medicamento, distribuídas em 16 regiões de saúde. No caso do Hospital Júlio Müller, o atendimento abrange os 11 municípios da Baixada Cuiabana, ampliando a procura pela unidade.

Durante a vistoria, os técnicos também identificaram como ponto de atenção a falta de farmacêutico responsável pela unidade, após o retorno do profissional à Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso.

O tribunal destacou que a fiscalização tem caráter preventivo e busca garantir a continuidade dos serviços públicos essenciais, permitindo que riscos sejam identificados antecipadamente e corrigidos pela gestão pública.

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