Sesi MT lança programa para ampliar inclusão de pessoas com deficiência na indústria
O lançamento ocorreu no auditório do Sistema Federação das Indústrias de Mato Grosso (Sistema Fiemt), em Cuiabá, e reuniu representantes da indústria, instituições e lideranças

O Serviço Social da Indústria de Mato Grosso (Sesi MT) lançou, nesta sexta-feira (02.10), o MOVE+, programa desenvolvido para apoiar as indústrias na construção de ambientes de trabalho mais inclusivos, acessíveis e preparados para receber, desenvolver e manter pessoas com deficiência no quadro de colaboradores.
O lançamento ocorreu no auditório do Sistema Federação das Indústrias de Mato Grosso (Sistema Fiemt), em Cuiabá, e reuniu representantes da indústria, instituições e lideranças.
A iniciativa oferece às empresas um diagnóstico de inclusão, realizado por meio de um checklist técnico com 105 perguntas, distribuídas em seis pilares de acessibilidade: arquitetônica, atitudinal, digital, metodológica, comunicacional e instrumental. A partir dos resultados, Sesi e indústria estruturam um plano de ação de acordo com as necessidades identificadas.
Entre as ações estão formação de lideranças, sensibilização de equipes, avaliação de acessibilidade, aculturamento da inclusão, educação continuada, indicadores, emprego apoiado e acompanhamento da evolução.
A defensora pública do Estado de Mato Grosso, Cleide Ribeiro, participou do lançamento e parabenizou a iniciativa. “Não basta garantir medicamento e terapia. É necessário que as pessoas com deficiência tenham emprego para exercer sua autonomia e dignidade em sua plenitude. Não tenho dúvida de que esse programa vai fazer a diferença”, afirmou.
Durante o evento, o auditor-fiscal do trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso, Eduardo de Souza Maria, apresentou dados que mostram o espaço existente para ampliar a contratação de pessoas com deficiência no Estado.
“Mato Grosso possui cerca de 52 mil pessoas com deficiência em idade para o cumprimento da legislação de cotas, mas pouco mais de 5 mil estão atualmente inseridas no mercado formal de trabalho. O cenário demonstra que ainda temos espaço para contratar pessoas com deficiência, o que falta é conscientização das empresas, e essa consultoria vai fazer toda diferença”, diz Eduardo.
A superintendente Estadual de Promoção e Articulação de Políticas Públicas para as Pessoas com Deficiência da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc-MT), Thais Paula, também destacou a importância da iniciativa. Pessoa com deficiência física desde os dois anos de idade, ela relatou os desafios enfrentados ao longo da trajetória profissional e ressaltou o papel da educação e das políticas de inclusão. “Só um governo sozinho não consegue fazer tudo que é necessário para transformar vidas das pessoas com deficiência. Ações como essa do Sesi são fundamentais. Esse trabalho pode mudar a história de Mato Grosso”, afirmou.
Para o presidente da Fiemt, Silvio Rangel, a inclusão não deve ser compreendida apenas como cumprimento de leis e normas, mas como uma estratégia que valoriza pessoas e suas potencialidades. “Quando falamos em inclusão no ambiente de trabalho, é comum que a primeira associação seja com leis, normas, cotas e adequações. Tudo isso é importante e precisa ser cumprido. Mas inclusão é, antes de tudo, sobre pessoas. É reconhecer que cada profissional tem competências, experiências, talentos e potencialidades”, destacou.
O superintendente Regional do Sesi MT, Alexandre Serafim, explica que o programa parte do princípio de que o ambiente de trabalho também precisa se adaptar às pessoas. “Em vez de pedir que a pessoa se adapte ao trabalho, precisamos também pensar em como adaptar o trabalho às pessoas. Por isso, estamos apresentando uma solução estruturada, que começa pelo diagnóstico, identifica barreiras e ajuda as empresas a construir caminhos de transformação”, afirmou.
Atuamente, 72 colaboradores do Sistema Fiemt são pessoas com deficiência e elas atuam em diversas frentes de trabalho, valorizando e desenvolvendo suas habilidades e competências. Entre as áreas de ocupação estão coordenação, técnico de segurança do trabalho, financeiro, orientador, supervisor, inovação social, apoio educacional, professor, assistente e manutenção.
Indústria já percebe os resultados
Empresas que já desenvolvem ações de inclusão também participaram do lançamento. A Trael Transformadores Elétricos, por exemplo, conta atualmente com 33 colaboradores com deficiência e avalia ampliar esse número. “São pessoas capacitadas, dedicadas e que muitas vezes se destacam dentro do setor em que atuam. Temos muito orgulho delas e queremos continuar trazendo melhorias e novas ideias para a nossa empresa”, afirmou a diretora da empresa, Ana Carolina Peralta.
Na Águas Cuiabá, a diversidade também faz parte da estratégia da empresa. De acordo com a coordenadora de Recursos Humanos, Angélica Calabria, há três anos a companhia mantém uma frente dedicada ao tema. “É uma temática que precisa de instrução para que a gente saiba trabalhar com os diversos públicos e consiga preparar os gestores. Fazemos um letramento sobre diversidade e inclusão para preparar tanto quem chega à empresa quanto os colegas e líderes que vão receber esses profissionais”, explicou.
Dados
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pelo Observatório da Indústria de Mato Grosso, o Brasil possui cerca de 17 milhões de pessoas com deficiência, sendo aproximadamente 186 mil em Mato Grosso. O levantamento aponta ainda desafios relacionados à escolaridade e à inserção dessa população no mercado formal.
A Lei de Cotas (artigo 93 da Lei nº 8.213/1991) determina que empresas com 100 ou mais empregados reservem de 2% a 5% dos cargos para pessoas com deficiência ou beneficiários reabilitados, conforme o número de funcionários.
Como funciona o MOVE+
A jornada do MOVE+ começa pelo diagnóstico e segue com planejamento, implementação, acompanhamento e evolução. O programa também prevê o Plano de Gerenciamento da Inclusão (PGI), que organiza as ações de acordo com a realidade de cada indústria.
Além do diagnóstico, as empresas podem contar com iniciativas de formação de lideranças, sensibilização de equipes, avaliação de acessibilidade, acompanhamento, indicadores, educação continuada, plano de adequação, reconhecimento da evolução e emprego apoiado.
Outra ferramenta é o Container de Imersão MOVE+, espaço itinerante que proporciona experiências relacionadas a diferentes tipos de deficiência. Adaptado a partir de um container marítimo, o ambiente possui quatro estações que simulam situações relacionadas à baixa visão, surdez, mobilidade reduzida e sobrecarga sensorial.
O MOVE+ integra as áreas de Saúde, Educação e Social e pode ser conectado a competências do Senai, IEL e Fiemt, conforme as necessidades identificadas em cada indústria.
A proposta é apoiar as empresas na identificação e redução de barreiras, contribuindo para ambientes de trabalho mais acessíveis, inclusivos e equitativos e para a ampliação das oportunidades de desenvolvimento e permanência de pessoas com deficiência na indústria.


