CPI do DAE

Rogerinho pede CPI para investigar DAE e diz: “Eu não devo”

Vereador afirmou que não tem nada a esconder, mas pedido foi rejeitado por falta de assinaturas e ausência de fato específico a ser investigado.

Por Matheus Marques 25/08/2026 às 15:00 3 min de leitura

O vereador e ex-presidente do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG), Rogerinho Dakar (PSDB), apresentou nesta segunda-feira (25) um pedido para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar sua própria atuação à frente da autarquia.

O requerimento, no entanto, foi indeferido pela Presidência da Câmara de Várzea Grande por não cumprir os requisitos necessários para a criação da comissão. Entre os problemas apontados estão a falta do número mínimo de assinaturas e a ausência de um fato específico a ser investigado.

O pedido foi apresentado após o vereador utilizar a tribuna para se defender da repercussão de um áudio vazado de um grupo restrito da Câmara. Rogerinho afirmou que pretendia colocar sob investigação as contas, contratos e demais processos relacionados ao DAE desde o início do atual mandato.

“Eu entro com um pedido de CPI para investigar todas as contas, os contratos, tudo, tudo relacionado ao DAE desde o início desse mandato”, afirmou.

Segundo o vereador, a intenção era demonstrar que as acusações relacionadas à sua passagem pela autarquia teriam motivação política. Ele também declarou estar disposto a ter sua atuação investigada.

“Então eu peço aos demais pares que aceitem esse pedido de CPI para investigar eu mesmo e todos os processos que estão lá”, disse.

Rogerinho afirmou ainda que não possui nada que desabone sua conduta e que não pretende permanecer em silêncio diante das acusações.

“Eu não tenho nada que me desabone nessa Casa de Lei, e principalmente na autarquia DAE. Eu nunca prestei serviço para a Prefeitura, eu nunca estive em frente de pasta nenhuma, e eu não vou me calar porque eu não devo”, declarou.

Pedido tinha apenas uma assinatura

O secretário legislativo da Câmara de Várzea Grande explicou que, para a abertura de uma CPI, é necessário o apoio de pelo menos um terço dos vereadores. No Legislativo municipal, isso representa oito assinaturas.

O requerimento apresentado contava apenas com a assinatura do próprio autor, motivo pelo qual não pôde avançar.

Além disso, uma CPI precisa estabelecer um fato determinado como objeto da investigação. Segundo a orientação técnica apresentada pela Câmara, não é possível instaurar uma comissão parlamentar apenas para investigar genericamente toda uma gestão.

O pedido pode ser reapresentado, desde que reúna o número mínimo de assinaturas e defina de forma objetiva o fato que será investigado, como um contrato específico ou uma denúncia concreta.

Áudio foi explicado

O pedido de CPI ocorreu após Rogerinho utilizar a tribuna para explicar o conteúdo de um áudio vazado. Na gravação, ele pede orientação a integrantes de um grupo sobre uma situação relacionada ao DAE e afirma que os envolvidos estariam “no mesmo bolo”.

O vereador classificou o vazamento como “covardia” e afirmou que a divulgação teria relação com perseguição política. Segundo ele, a mensagem foi enviada enquanto buscava apoio para projetos relacionados à situação financeira da autarquia.

A matéria que serviu de base para este texto também relata que, durante sua manifestação pública, o vereador não abordou um vídeo que mostra o ex-presidente do DAE recebendo dinheiro em espécie.

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