Levantamento do Observatório da Indústria

Profissões ligadas à engenharia e tecnologia concentram as melhores remunerações do setor privado

Os dados também revelam que a valorização dessas profissões acompanha as transformações do setor produtivo

Por Valdemar Félix 30/07/2026 às 12:30 6 min de leitura

Profissões ligadas à engenharia, tecnologia da informação, automação e gestão estão entre as mais valorizadas do setor privado em Mato Grosso. Segundo um levantamento do Observatório da Indústria, o estado reúne atualmente mais de 155 mil trabalhadores com ensino superior que atuam na iniciativa privada e revela que carreiras técnicas e especializadas chegam a registrar remunerações médias superiores a R$ 10 mil, evidenciando a crescente participação de profissionais qualificados em setores estratégicos da economia estadual.

Entre as carreiras com as maiores médias salariais destacam-se: Engenheiro de Produção, com remuneração média de R$ 10.408,79, e Engenheiro Agrônomo, com R$ 10.035,78. Também figuram entre as carreiras mais valorizadas: Analista de Desenvolvimento de Sistemas (R$ 8.404,85), Administrador de Redes (R$ 6.672,41) e Analista de Sistemas de Automação (R$ 6.653,70). Outras ocupações ligadas à engenharia, tecnologia e gestão também aparecem entre as carreiras de maior valorização salarial na iniciativa privada.

Outro dado que chama atenção no levantamento é o desempenho da Engenharia de Controle e Automação. Embora ainda reúna menos de 30 profissionais empregados no setor privado mato-grossense, a carreira registra remuneração média de R$ 12.313,43, a maior entre as profissões de ensino superior analisadas no levantamento. O cenário indica uma demanda por profissionais altamente especializados em automação e controle de processos, área que tende a ganhar espaço com o avanço da digitalização industrial.

Os dados também revelam que a valorização dessas profissões acompanha as transformações do setor produtivo. À medida que empresas investem em automação, digitalização e aumento da produtividade, cresce a demanda por profissionais capazes de desenvolver soluções tecnológicas, otimizar processos, integrar equipes multidisciplinares e contribuir para a competitividade dos negócios.

Profissões técnicas ganham espaço com transformação da indústria

O levantamento do Observatório da Indústria mostra que as carreiras de maior remuneração estão concentradas em áreas como engenharia, tecnologia da informação, automação, logística e gestão de processos, refletindo as mudanças observadas no perfil da demanda por profissionais qualificados.

Esse movimento acompanha a expansão de setores estratégicos para a economia estadual, como agroindústria, indústria de transformação, mineração, construção civil e logística. Com operações cada vez mais automatizadas e orientadas por dados, as empresas passaram a demandar profissionais preparados para atuar em ambientes produtivos mais complexos e intensivos em tecnologia.

Para a diretora regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Mato Grosso (Senai MT), Fernanda Campos, o levantamento confirma uma tendência observada pela indústria nos últimos anos.

“Quando observamos que engenharia, tecnologia e automação concentram algumas das maiores remunerações do mercado, percebemos que a transformação tecnológica já faz parte da realidade da indústria. As empresas buscam profissionais preparados para atuar em processos cada vez mais automatizados, conectados e orientados pela inovação, o que reforça a importância de uma formação alinhada às necessidades do setor produtivo”, afirma.

A trajetória de Salomão Souza ilustra esse movimento observado na indústria mato-grossense. Após iniciar a carreira como operador de máquinas e pintura industrial em uma fábrica de autopeças do grupo Mitsubishi Motors, no Japão, ele retornou ao Brasil e atuou em empresas do Distrito Industrial de Cuiabá. Foi a graduação em Gestão da Produção Industrial, pelo Centro Universitário do Senai Mato Grosso (UniSenai MT), que abriu caminho para que ele assumisse posições de liderança, ao migrar da operação para a gestão de pessoas, processos e planejamento industrial.

“A experiência prática foi essencial para a minha formação, mas a graduação me deu a visão estratégica necessária para assumir funções de liderança. Hoje, consigo unir o conhecimento do chão de fábrica à gestão da produção, tomando decisões voltadas à eficiência, à qualidade e à melhoria contínua. A qualificação ampliou minhas oportunidades e me preparou para acompanhar as transformações que a indústria vive atualmente”, afirma o ex-aluno.

Formação acompanha novas exigências do mercado

A valorização dessas profissões também vem influenciando a oferta de ensino superior. Nos últimos anos, instituições de ensino passaram a ampliar graduações voltadas às áreas que concentram maior demanda do setor produtivo, acompanhando as mudanças no perfil das vagas e das competências exigidas pelas empresas.

Esse movimento também pode ser observado no UniSenai MT, que recentemente incorporou os cursos de Engenharia de Controle e Automação, Engenharia de Produção e Engenharia de Software ao seu portfólio. As novas graduações se somam aos cursos de: Administração, Agrocomputação, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Automação Industrial, Gestão do Agronegócio, Gestão da Produção Industrial, Gestão de Recursos Humanos, Logística, Processos Gerenciais, Segurança Cibernética e Segurança da Informação.

A oferta acompanha um cenário em que diversas profissões relacionadas a essas áreas figuram entre as mais valorizadas do mercado privado mato-grossense, demonstrando uma convergência entre a formação superior e as necessidades atuais da indústria.

Segundo a pró-reitora do UniSenai MT, Ana Cristina Caldart, o levantamento reforça a importância de aproximar o ensino superior das transformações vividas pelo setor produtivo.

“A velocidade das transformações tecnológicas exige uma formação cada vez mais conectada à realidade da indústria. Quando os currículos dialogam com as necessidades do setor produtivo, o profissional chega ao mercado mais preparado para atuar em áreas estratégicas e de alta complexidade”, avalia.

Em um cenário de expansão da indústria, da agroindústria, da logística e da mineração, a tendência é que áreas ligadas à engenharia, tecnologia e gestão continuem desempenhando papel estratégico na formação de profissionais qualificados pelo desenvolvimento de Mato Grosso.

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