Pressão alta e diabetes podem avançar sem sintomas e elevar risco cardiovascular
Dor no peito, falta de ar, palpitações, inchaço e desmaios estão entre os sinais que podem indicar alterações no funcionamento do coração

Doenças que aumentam o risco cardiovascular podem evoluir durante anos sem provocar manifestações claras. No Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, a atenção se volta para condições como pressão alta e diabetes, que muitas vezes apresentam poucos sintomas no início e podem elevar o risco de complicações.
A cardiologista do Hospital São Mateus Jamila Xavier ressalta a importância da identificação dos fatores de risco e da atenção a sinais que podem indicar alterações cardíacas. Dados do Ministério da Saúde apontam que o Brasil registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano e que, a cada cinco a sete ocorrências, uma resulta em morte.
“Essas doenças crônicas podem estar instaladas e causar poucos sintomas, principalmente nas fases iniciais. Por isso, é importante conhecer esses fatores e manter o acompanhamento”, pontua Jamila.
Além da dor na região do tórax, geralmente descrita como aperto ou queimação e que pode irradiar para o braço ou pescoço, outros sintomas merecem atenção. Cansaço e falta de ar progressivos, inchaço, palpitações, desmaios e elevações frequentes da pressão arterial indicam a necessidade de avaliação.
Hábitos aumentam os riscos
Sedentarismo, alimentação com excesso de sal, açúcares e produtos industrializados e o tabagismo, tanto pelo cigarro convencional quanto pelo eletrônico, estão entre os comportamentos associados ao aumento do risco cardiovascular.
A médica ressalta que a avaliação individual deve considerar idade, histórico familiar e presença de fatores de risco. Para ela, a partir dos 40 anos o acompanhamento cardiológico ganha maior importância, podendo começar antes quando existem casos de doenças cardiovasculares precoces na família.
Nesses casos, o controle da pressão arterial, glicemia e colesterol assume papel importante na prevenção. A aferição periódica também contribui para identificar alterações que podem passar despercebidas por não provocarem sintomas claros.
Outro problema é a demora na procura por atendimento. Dor no peito e falta de ar também podem estar relacionadas a outras condições, fazendo com que algumas pessoas minimizem os sintomas ou esperem que desapareçam.
“A ida ao médico pode ser adiada quando a pessoa não reconhece a gravidade dos sinais ou nem sabe que tem pressão alta ou diabetes. O atraso na avaliação pode permitir a progressão de uma doença que, sem o tratamento adequado, pode evoluir para uma emergência”, acrescenta Jamila Xavier.


