Testes clínico

Polilaminina contra paralisia: testes em humanos da promissora substância brasileira começam dia 24

Estudo liderado pela UFRJ e farmacêutica Cristália vai avaliar a segurança do tratamento inédito em pacientes recém-traumatizados

Por Camila Almeida 17/09/2026 às 17:30 2 min de leitura

A partir de 24 deste mês, pesquisadores dão início à primeira fase de testes clínicos em humanos da polilaminina, substância brasileira que demonstrou potencial de regenerar conexões nervosas e ajudar pessoas paralisadas a recuperarem os movimentos.

Desenvolvido pelo laboratório Cristália em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o medicamento será aplicado inicialmente em cinco voluntários.

Quem poderá participar desta primeira fase

Nesta etapa, autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o foco principal é provar que a substância é segura e não traz riscos graves à saúde humana. Para entrar no estudo, o paciente precisa atender a critérios rigorosos:

  • Critério de tempo: ter sofrido o trauma na coluna há menos de 72 horas.
  • Perfil da lesão: apresentar lesão medular completa entre as vértebras T2 e T10 (região do tórax) com indicação cirúrgica.
  • Idade: ter entre 18 e 72 anos.

A aplicação será feita diretamente na medula durante a cirurgia de descompressão, conduzida por equipes treinadas no Hospital das Clínicas e na Santa Casa de São Paulo. A reabilitação e o acompanhamento de seis meses ocorrerão na AACD.

Como funciona a polilaminina no corpo

A polilaminina é uma versão sintética aperfeiçoada da laminina, uma proteína natural do organismo. Descoberta há mais de 20 anos pela pesquisadora Tatiana Sampaio, da UFRJ, ela funciona como uma espécie de “trilho” no sistema nervoso.

Quando ocorre um trauma, o sinal elétrico entre o cérebro e os membros é cortado. A polilaminina atua ajudando os neurônios a reconstruírem esses caminhos interrompidos, estimulando a reconexão celular.

Do laboratório às prateleiras: entenda os passos

Testes anteriores em animais e aplicações pontuais em humanos trouxeram sinais animadores de ganho motor, mas a ciência exige rigor antes de liberar o uso comercial:

  • Fase 1 (Atual): avalia a segurança e possíveis efeitos colaterais em um grupo pequeno (5 pessoas).
  • Fases 2 e 3: se a Fase 1 for bem-sucedida, o número de participantes aumenta para comprovar a eficácia real do remédio frente aos tratamentos atuais.
  • Registro na Anvisa: o medicamento só estará disponível em hospitais e farmácias após a conclusão e aprovação de todas as etapas do ensaio científico.

*Sob supervisão de Gene Lannes

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