Pivetta aposta na industrialização para reduzir impacto da reforma tributária em MT
Governador defende verticalização das cadeias produtivas, atração de indústrias, geração de empregos e fortalecimento do consumo interno como caminhos para preservar a arrecadação estadual

A reforma tributária e seus possíveis impactos sobre as receitas de Mato Grosso estiveram entre os principais temas do debate entre os candidatos ao Governo do Estado. Ao ser questionado por Natasha Slhessarenko (PSD) sobre uma possível perda de aproximadamente R$ 1 bilhão na arrecadação, Otaviano Pivetta (Republicanos) apresentou a industrialização como uma das principais estratégias para enfrentar o novo cenário.
Segundo Pivetta, Mato Grosso precisa avançar na transformação das matérias-primas produzidas no próprio território, agregando valor à soja, ao milho, ao algodão e a outros produtos. A proposta é ampliar a geração de empregos, fortalecer o mercado consumidor e, consequentemente, criar novas fontes de arrecadação.
O questionamento de Natasha ocorreu após o sorteio do tema “Perdas da reforma tributária”. A candidata lembrou que a mudança no sistema de tributação será implantada de forma gradual e cobrou do adversário uma explicação mais objetiva sobre como o Estado pretende compensar eventuais perdas de receita.
Pivetta afirmou que Mato Grosso vive um período de forte expansão econômica e que os investimentos realizados em infraestrutura nos últimos anos criaram condições para uma nova etapa de desenvolvimento.
Durante o debate, ele declarou que o Estado ampliou sua capacidade produtiva em 46 milhões de toneladas, volume que comparou à produção de um estado inteiro do tamanho do Paraná.
Na avaliação do candidato, depois de ampliar a infraestrutura e a produção agropecuária, Mato Grosso precisa agora avançar na industrialização.
“Com a infraestrutura que nós fizemos nesses últimos sete anos, conseguimos ampliar a nossa produção. Colocamos o equivalente a um Paraná inteiro dentro do Estado de Mato Grosso, 46 milhões de toneladas. E o ciclo agora é verticalização, é industrialização do Estado para agregar valor, gerar melhores empregos e também arrecadar mais”, afirmou.
A estratégia defendida por Pivetta é reduzir a dependência da comercialização de produtos primários e estimular a transformação da produção dentro do Estado. A instalação de novas indústrias poderia gerar empregos mais qualificados, aumentar a circulação de renda e estimular o consumo local.
O candidato também destacou o crescimento populacional como um fator que poderá favorecer a economia mato-grossense nas próximas décadas. Segundo ele, projeções indicam que Mato Grosso poderá manter crescimento demográfico até 2070, enquanto outros estados brasileiros deverão enfrentar redução de sua população.
Pivetta afirmou que pretende manter o incentivo à agroindústria e ampliar a industrialização em diferentes regiões do Estado, incluindo a Baixada Cuiabana.
“Então, no meu governo, eu vou continuar incentivando e estimulando a industrialização, a agroindústria, a industrialização da Baixada Cuiabana, para gerar melhores empregos aqui, qualificar todos os nossos jovens já no ensino médio e desenvolver Mato Grosso. É assim que nós vamos, com menos impostos, arrecadar mais”, declarou.
A proposta apresentada durante o debate não prevê, segundo Pivetta, uma elevação da carga tributária como resposta à reforma. A aposta está no crescimento da atividade econômica, com aumento da produção, da renda, do emprego e do consumo.
Natasha, porém, voltou a questionar o candidato e afirmou que a resposta não havia esclarecido de que maneira as perdas seriam efetivamente neutralizadas.
“Candidato, o senhor não respondeu ainda a forma como vai neutralizar. Não entendi como é que o senhor neutralizaria isso”, disse.
A candidata lembrou ainda que o ICMS continua sendo uma importante fonte de arrecadação estadual e que a transição para o novo modelo tributário poderá modificar a distribuição das receitas.
Na avaliação de Natasha, Mato Grosso possui uma economia fortemente voltada à produção, mas ainda conta com um mercado consumidor menor proporcionalmente. Por isso, ela defendeu uma mudança no perfil econômico do Estado, com maior presença de indústrias e agroindústrias.
Como exemplo, citou a cadeia do algodão. Mato Grosso possui grande participação na produção nacional, mas, segundo ela, ainda precisa ampliar a estrutura industrial responsável pela transformação da fibra.
“Hoje, a reforma tributária que vai vir fará com que o Estado que consuma pouco, e o nosso Estado consome pouco, tenha perdas. O nosso Estado é produtor. Nós precisamos mudar a chave e fazer com que o nosso Estado saia da condição de produtor para a condição de consumidor”, afirmou Natasha.
A candidata também defendeu a instalação de unidades industriais capazes de transformar a produção local. Para ela, a mudança da tributação para o destino torna o consumo um elemento cada vez mais importante na distribuição das receitas.
Ao responder, Pivetta destacou o desempenho econômico de Mato Grosso nos últimos anos. Segundo ele, o Estado apresentou crescimento real de 54% em sete anos, já descontada a inflação.
“Ninguém mais do que nós fez para o desenvolvimento do Estado de Mato Grosso. Em sete anos, nós tivemos um crescimento de 54% real, descontada a inflação. Então houve crescimento econômico porque o Estado está se desenvolvendo e a agroindústria está chegando”, afirmou.
Pivetta apontou a região da BR-163 como exemplo do processo de industrialização que pretende ampliar para outras áreas. Ele citou Lucas do Rio Verde e Nova Mutum como municípios que avançaram na transformação da produção agropecuária e defendeu que esse modelo seja levado para outras regiões.
A Baixada Cuiabana aparece como uma das áreas prioritárias nessa estratégia. A expansão da infraestrutura ferroviária, segundo o candidato, poderá contribuir para a atração de novos empreendimentos, melhorar a logística e reduzir custos para empresas que decidirem se instalar na região.
Na cadeia do algodão, Pivetta afirmou que pretende incentivar a instalação de indústrias de fiação e do setor têxtil na região metropolitana de Cuiabá.
“Na Baixada Cuiabana, especialmente com a chegada do terminal ferroviário, a primeira ferrovia estadual do Estado de Mato Grosso, nós vamos implantar a indústria têxtil. O fenômeno da produção do algodão é novo, é recente. E nós vamos começar a verticalizá-lo. Já fizemos na soja, já fizemos no milho e agora vamos fazer no algodão também”, declarou.
A proposta segue uma lógica semelhante à adotada em outras cadeias produtivas. A transformação da soja e do milho em produtos como óleo, farelo, ração e etanol amplia a quantidade de atividades econômicas associadas à produção e aumenta as possibilidades de geração de renda e arrecadação.
Natasha questionou, entretanto, por que parte das iniciativas anunciadas ainda não teria avançado durante o período em que Pivetta ocupou a vice-governadoria.
“O senhor fala que vai fazer. O senhor teve aí sete anos e meio como vice-governador. Por que essas iniciativas já não foram feitas durante o tempo em que o senhor era vice-governador?”, provocou.
Pivetta respondeu lembrando as dificuldades financeiras enfrentadas pelo Estado no início de 2019. Segundo ele, a administração precisou primeiro reorganizar as contas públicas, regularizar pagamentos e recuperar a capacidade de investimento.
“Nós fizemos muito. Nós assumimos o Estado quebrado em 2019, com salário do servidor atrasado e fornecedor atrasado. Corrigimos tudo isso e começamos um novo modelo de gestão que nunca antes foi feito”, afirmou.
Entre os investimentos citados pelo candidato está a construção de aproximadamente 7 mil quilômetros de novas rodovias ao longo de oito anos. Na argumentação apresentada no debate, a ampliação da infraestrutura teria contribuído para reduzir gargalos logísticos, aumentar a capacidade produtiva e criar condições para a chegada de novos investimentos.
Pivetta também afirmou que o Produto Interno Bruto de Mato Grosso praticamente dobrou e projetou um crescimento adicional de 40% nos próximos dez anos.
“A agroindústria está chegando. Nós quase dobramos o PIB do Estado de Mato Grosso. A projeção é aumentar mais 40% nos próximos dez anos. Então nós estamos desenvolvendo o Estado. A questão também tem que esperar o tempo acontecer”, declarou.
No fim do confronto, Natasha mudou o foco para a área social e criticou a atual administração estadual. A candidata mencionou problemas na saúde e afirmou que cerca de 500 mil pessoas passam fome em Mato Grosso.
“A questão maior, candidato Otaviano, é que é um governo que não cuidou de gente. É um governo que abandonou as pessoas, que tem a maior fila da saúde e cerca de 500 mil pessoas passando fome no nosso Estado”, afirmou.
O debate terminou com Pivetta reforçando a industrialização como eixo de sua proposta para enfrentar os efeitos da reforma tributária. A ideia apresentada é utilizar a infraestrutura construída nos últimos anos para ampliar a transformação da produção dentro do Estado.
A estratégia envolve a verticalização das cadeias da soja, do milho e do algodão, a expansão da agroindústria, a atração de novas empresas, a instalação de uma indústria têxtil na Baixada Cuiabana, a melhoria da logística ferroviária e a qualificação profissional dos jovens.
As mudanças no sistema tributário ainda serão implementadas de forma gradual, e os efeitos definitivos sobre as receitas estaduais dependerão da regulamentação e do comportamento da economia durante o período de transição.
Para Pivetta, a resposta de Mato Grosso deve estar no crescimento da própria economia. A aposta é produzir, transformar e consumir mais dentro do Estado para ampliar a geração de riqueza, empregos, renda e arrecadação e, dessa forma, reduzir o impacto estimado de R$ 1 bilhão provocado pela reforma tributária.


