Apagão de professores

Pesquisa revela envelhecimento e precarização no quadro de professores do país

Estudo do Instituto Semesp aponta queda drástica de novos talentos nas escolas e avanço de contratos temporários, colocando em risco o futuro da educação pública

Por Camila Almeida 17/09/2026 às 12:30 2 min de leitura

A falta de atratividade da carreira docente está cobrando uma conta alta do sistema educacional brasileiro e pode afetar diretamente a qualidade do aprendizado nas salas de aula nos próximos anos. Um raio-X inédito revela que o Ensino Médio do país está envelhecendo rapidamente sem conseguir atrair novos profissionais, criando um verdadeiro “apagão” de professores para as próximas gerações.

A estimativa para o futuro é preocupante: até 2040, o Brasil deve ter apenas um professor jovem (com até 24 anos) para cada seis docentes prestes a se aposentar.

Envelhecimento acelerado do quadro de docentes

A segunda edição do estudo “Apagão dos Professores”, divulgado pelo Instituto Semesp nesta quarta-feira (16/9) durante evento nacional em São Paulo, mostra uma mudança drástica no perfil de quem leciona nas escolas brasileiras entre 2015 e 2025:

  • Jovens (até 24 anos): O grupo encolheu 31,1%, caindo de 17,3 mil para apenas 11,9 mil profissionais
  • Veteranos (60 anos ou mais): O contingente disparou 104,5%, saltando de 18,2 mil para 37,3 mil docentes

A disparidade é ainda mais grave em disciplinas essenciais como Geografia, História, Língua Portuguesa, Sociologia, Filosofia e Artes, que registraram os piores índices de reposição do país.

Contratação temporária ganha força e reduz concursos

A pesquisa revela outro fator preocupante para a estabilidade da educação pública: a substituição de profissionais concursados por contratos temporários e terceirizados.

Em dez anos, o total de professores efetivos caiu de 305 mil para 255 mil (representando agora pouco mais da metade do quadro total, com 54,1%). Em contrapartida, as contratações temporárias cresceram 40,4%, passando de 146 mil para 205 mil profissionais.

A combinação entre a falta de concursos públicos e a pouca procura de jovens pelas licenciaturas ameaça paralisar a reposição de vagas à medida que os veteranos se aposentam.

*Sob supervisão de Gene Lannes

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