Mudanças em debate

Minirreforma eleitoral avança na Câmara e gera críticas de entidades civis

Projeto flexibiliza punições a partidos e altera regras de fiscalização e propaganda eleitora

Por Camila Almeida 22/05/2026 às 18:30 3 min de leitura

A aprovação da chamada minirreforma eleitoral pela Câmara dos Deputados tem gerado críticas de entidades da sociedade civil por alterar regras de fiscalização, prestação de contas e punições aplicadas a partidos políticos.

O texto foi aprovado na noite de terça-feira (19/05), em votação simbólica e sem registro nominal no painel eletrônico. Agora, a proposta segue para análise do Senado Federal.

O que muda na prática

O projeto de lei (PL 4822/2025) altera pontos da legislação eleitoral e partidária. Entre as principais mudanças estão:

  • limite de R$ 30 mil para multas por contas desaprovadas;
  • proibição de bloqueio e penhora de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral;
  • autorização para envio de mensagens automatizadas a eleitores cadastrados;
  • redução do prazo de julgamento das contas partidárias;
  • parcelamento de dívidas de partidos em até 15 anos.

Caso seja aprovado também no Senado e sancionado, o texto mudará a forma de fiscalização e punição das legendas.

Entidades falam em enfraquecimento da fiscalização

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que reúne mais de 70 entidades da sociedade civil, afirmou que a proposta representa um “grave retrocesso”. Segundo o movimento, a medida enfraquece os mecanismos de controle e transparência relacionados ao uso dos fundos partidário e eleitoral.

Entre as entidades que integram o MCCE estão a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Ordem dos Advogados do Brasil e associações ligadas à Polícia Federal e aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Limitação de multas gera debate

Um dos pontos mais criticados é o teto de R$ 30 mil para multas aplicadas a partidos com contas desaprovadas. Críticos afirmam que a medida reduz o caráter proporcional das punições em casos de irregularidades envolvendo valores mais altos.

Outro ponto sensível é a proibição do bloqueio de recursos dos fundos partidário e eleitoral, o que pode dificultar o cumprimento de decisões judiciais.

Julgamento mais curto pode encerrar processos

O projeto também reduz de cinco para três anos o prazo para julgamento das contas partidárias pela Justiça Eleitoral. Na prática, processos podem ser encerrados sem decisão definitiva caso não sejam analisados dentro do período previsto.

Além disso, o texto estabelece que cada diretório partidário responderá apenas pelas próprias irregularidades, o que, segundo críticos, pode fragmentar responsabilidades.

Regras para mensagens automatizadas

A proposta também altera normas de propaganda eleitoral ao permitir o envio de mensagens automatizadas para eleitores previamente cadastrados. Pela nova regra, esse tipo de disparo não será considerado irregular quando direcionado a pessoas inscritas previamente.

Para entidades contrárias ao texto, a mudança pode ampliar o uso de ferramentas digitais com menor controle sobre conteúdos disseminados em massa.

*Sob supervisão de Gene Lannes

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