pecuária

Mato Grosso registra maior abate bovino da história para um primeiro semestre, aponta Imea

O recorde do primeiro semestre de 2026 representa uma alta de 3,58% em relação aos abates do mesmo período de 2025

Por Valdemar Félix 07/07/2026 às 16:00 4 min de leitura

Mato Grosso registrou o maior volume de abates de bovinos para um primeiro semestre. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que, entre janeiro e junho deste ano, o estado abateu 3,5 milhões de cabeças. O recorde foi impulsionado principalmente pela forte demanda internacional por carne bovina, com destaque para a China.

Segundo o instituto, o recorde do primeiro semestre de 2026 representa uma alta de 3,58% em relação aos abates do mesmo período de 2025. O resultado reflete o aquecimento das exportações e o aumento da procura por animais terminados ao longo dos primeiros seis meses do ano.

A analista de bovinocultura de corte do Imea, Ana Eufrázio, destaca que o recorde foi sustentado pelo crescimento do abate de machos. “Neste primeiro semestre de 2026, Mato Grosso atingiu um volume de abates nunca visto antes para um primeiro semestre em toda a série histórica. Foram 3,65 milhões de cabeças abatidas, com destaque para o aumento no abate de machos e uma queda no abate de fêmeas”, explica.

Do total abatido, 1,81 milhão de cabeças foram machos, avanço de 13,05% frente ao primeiro semestre de 2025. Já o abate de fêmeas recuou 4,26%, totalizando 1,85 milhão de animais.

Ana Eufrázio explica que essa redução no envio de fêmeas aos frigoríficos evidencia a transição do ciclo pecuário em Mato Grosso.

“Essa queda ocorre devido ao intenso abate de fêmeas registrado nos últimos anos e ao cenário atual, em que a reposição voltou a ser mais atrativa. Com isso, muitos produtores estão retendo matrizes para recompor o plantel, o que reforça essa mudança no ciclo da pecuária”, diz.

O desempenho da pecuária mato-grossense também foi acompanhado pelo resultado histórico nas exportações de carne bovina. No primeiro semestre de deste ano, Mato Grosso embarcou 511,75 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC), crescimento de 38,76% em comparação com o mesmo período do ano passado. Em receita, as exportações somaram US$ 2,41 bilhões, avanço de 63,82%.

Segundo o Imea, a forte demanda internacional, especialmente da China, foi determinante para esse desempenho nas exportações do estado.

“O recorde de abates foi impulsionado pelo aumento da demanda dos frigoríficos, especialmente da China, que representa mais de 50% das exportações de carne bovina de Mato Grosso”, ressalta a analista.

Outro fator que contribuiu para o aumento dos embarques foi a antecipação das exportações para o mercado chinês. Segundo o Imea, a imposição da cota de salvaguarda fez com que frigoríficos acelerassem os embarques antes do esgotamento do limite tarifário.

“Dentro da cota, as exportações ocorrem normalmente. Fora dela, passa a incidir uma sobretaxa de 55%. Isso provocou uma corrida entre os frigoríficos no primeiro semestre para vender o maior volume possível antes do esgotamento da cota”, explica a analista Ana Eufrázio.

Com o preenchimento da cota chinesa, o mercado começa a dar sinais de desaceleração. Na última semana de junho, o indicador do boi gordo a prazo recuou 2%, equivalente a R$ 6,62 por arroba, refletindo a menor atuação de parte das plantas exportadoras e um movimento de acomodação após as fortes valorizações registradas ao longo do semestre.

Projeções para o 2° semestre

Para os próximos meses, de acordo com projeções do Imea, a expectativa é de redução do ritmo das exportações para a China. Esse cenário pode pressionar as cotações no terceiro trimestre.

“Atualmente, o preço do boi tem diminuído porque a cota já foi atingida e os novos embarques estarão sujeitos à sobretaxa. A expectativa é de maior pressão sobre os preços durante o terceiro trimestre em razão da redução da demanda chinesa”, afirma Ana.

Apesar desse quadro, a oferta restrita de animais terminados deve limitar quedas mais acentuadas da arroba ao longo do segundo semestre. Segundo o Imea, a tendência é que o mercado volte a ganhar força a partir da segunda quinzena de outubro, quando frigoríficos retomam o planejamento logístico para atender a nova cota de exportação destinada ao mercado chinês em 2027.

“Esse cenário de demanda externa e da corrida para atender a cota explica os recordes de abate e de exportação registrados por Mato Grosso no primeiro semestre de 2026. A expectativa é que o mercado volte a se movimentar na segunda quinzena de outubro, já de olho na cota chinesa do próximo ano”, indica a analista.

Leia Também

Deixe seu comentário