Mercado de trabalho

Mais de 6 milhões de jovens no Brasil estão fora da escola e do mercado de trabalho

Levantamento do MTE mostra avanço na escolarização, mas aponta alta rotatividade e desemprego entre jovens de 14 a 24 anos

Por Camila Almeida 25/06/2026 às 20:00 3 min de leitura

Um levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelou que 6,2 milhões de brasileiros entre 14 e 24 anos estavam fora da escola e do mercado de trabalho no primeiro trimestre de 2026. O grupo, conhecido como “nem-nem”, representa parte dos 32,9 milhões de jovens nessa faixa etária no país.

Os dados fazem parte do Diagnóstico da Juventude Brasileira, elaborado a partir do cruzamento de informações da PNAD Contínua, do IBGE, com bases da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do eSocial.

Ao mesmo tempo, o estudo mostra que 13,9 milhões de jovens estavam ocupados. Outros 12,8 milhões apenas estudavam, 9,6 milhões apenas trabalhavam e 4,3 milhões conciliavam estudo e emprego.

Escolaridade cresce, mas permanência no emprego é desafio

Segundo o levantamento, os jovens brasileiros estão mais escolarizados do que nunca. Atualmente, 73% possuem ao menos o ensino médio completo.

Além disso, 2,3 milhões frequentam o ensino superior e outros 944 mil já concluíram a graduação.

Apesar desse avanço, a pesquisa aponta dificuldades para transformar a maior escolaridade em empregos estáveis, qualificados e com melhores salários.

Um dos principais desafios é a alta rotatividade. Entre os adolescentes de 14 a 17 anos que trabalham, 52% permanecem menos de um ano no mesmo emprego. Na faixa de 18 a 24 anos, esse percentual é de 38,2%.

Segundo o Ministério do Trabalho, a curta permanência pode estar relacionada tanto ao processo natural de experimentação dos jovens quanto à falta de acompanhamento e integração nas empresas.

Desemprego segue acima da média nacional

Embora o desemprego entre os jovens tenha recuado, as taxas continuam superiores à média do país.

No primeiro trimestre de 2026, 25,1% dos adolescentes de 14 a 17 anos que buscavam trabalho estavam desempregados. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a taxa foi de 13,8%, mais que o dobro da média nacional, de 5,8%.

Outro dado considerado positivo é a menor participação dos adolescentes de 14 a 17 anos na força de trabalho, que ficou em 15,6%. Para o ministério, isso indica que mais jovens dessa faixa etária estão priorizando os estudos.

Já entre os jovens de 18 a 24 anos, a participação foi de 68,7%, índice que ainda não retornou ao nível registrado antes da pandemia.

Emprego formal avança

A pesquisa também mostra crescimento da formalização entre os jovens.

Dos trabalhadores de 14 a 24 anos, 57,8% possuem vínculo formal, o equivalente a cerca de 8 milhões de empregos com carteira assinada, conforme dados da Rais de 2025.

As ocupações que mais concentram jovens são:

  • Balconistas e vendedores: 1,24 milhão;
  • Escriturários gerais: 1,07 milhão;
  • Auxiliares de construção de edifícios: 394 mil;
  • Recepcionistas: 391 mil;
  • Caixas e bilheteiros: 367 mil.

Segundo o levantamento, 59% dos jovens ocupados estão concentrados nas 20 principais profissões do país, e um em cada cinco atua em atividades ligadas à escrituração ou ao comércio.

Para o Ministério do Trabalho, os dados indicam avanços na escolarização e na formalização, mas reforçam a necessidade de ampliar oportunidades para que os jovens consigam ingressar e permanecer no mercado de trabalho em ocupações de maior qualidade.

*Sob supervisão de Gene Lannes

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