disputa pela presidência

Lula vota em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista

Candidato vota na manhã deste domingo (4) na escola estadual João Firmino

Por Valdemar Félix 04/10/2026 às 08:27 7 min de leitura

O candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) votou na manhã deste domingo (4) na escola estadual João Firmino, no bairro Assunção, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

O presidente estava acompanhado do vice Geraldo Alckmin, das candidatas Marina Silva e Simone Tebet e de Fernando Haddad.

Se vencer as eleições deste ano, Lula exercerá o quarto mandato no Palácio do Planalto e chegará a 16 anos como presidente. Ficará atrás somente de Getúlio Vargas, que governou o Brasil por pouco mais de 18 anos, mas que só foi eleito presidente pelo voto direto uma vez.

O candidato foi ao colégio eleitoral acompanhado de seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), a candidata ao Senado Simone Tebet (PSB) e o candidato ao governo de SP Fernando Haddad (PT).

Reta final da campanha
A campanha presidencial de Lula (PT), assim como a de Flávio Bolsonaro (PL), escolheu São Paulo para os últimos atos eleitorais antes do primeiro turno.

O estado é o maior colégio eleitoral do país, com 34,1 milhões de eleitores, e concentra uma parcela importante do eleitorado do Sudeste. Para as duas campanhas, a reta final foi uma oportunidade de ampliar a votação em uma região que pode ser decisiva para a disputa.

A escolha da capital como palco do encerramento também é vista como uma tentativa de acenar para os paulistas. Na última eleição, o petista perdeu no estado de São Paulo, alcançando 44,8% dos votos válidos, contra 55,2% do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), uma diferença de 2,7 milhões de votos.

Terceiro mandato e crises

Em 2022, Lula iniciou o terceiro mandato recriando ministérios extintos no governo anterior, como o da Cultura. Também ampliou a estrutura administrativa, que hoje tem 38 pastas, com a criação de novos ministérios, como os da Igualdade Racial e o dos Povos Indígenas.

O petista passou por algumas crises nos últimos quatro anos, como o escândalo de fraudes no INSS, com os descontos indevidos em aposentadorias e pensões no período de 2019 a 2024.

O caso levou à troca do comando do instituto e o indiciamento de ex-dirigentes do órgão, além da substituição de Carlos Lupi no Ministério da Previdência Social.

Nos últimos dias, o petista também viu o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a Polícia Federal a realizar duas investigações sobre o suposto tráfico de influência de seu filho Fábio Luís da Silva, o Lulinha, no Ministério da Saúde e na Dataprev.

E, em junho, teve de retirar Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado, após o parlamentar baiano ser alvo da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes bilionárias praticadas pelo Banco Master.

Na área econômica e social, o governo conseguiu aprovar a reforma tributária no Congresso Nacional e ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda.

O Brasil voltou a sair do Mapa da Fome e houve a ampliação de programas voltados à moradia e à transferência de renda, além da implementação de medidas para ampliar o acesso à saúde e para estimular investimentos.

Lula também precisou lidar com os reflexos de crises internacionais, como conflitos no Oriente Médio e a política tarifária adotada pelos Estados Unidos.

A condução das negociações comerciais e diplomáticas – que incluiu a resposta do governo brasileiro ao tarifaço norte-americano e os embates públicos com Donald Trump – foi um dos principais desafios do mandato.

Também no campo econômico, o presidente foi criticado por sua estratégia econômica, marcada pelo aumento dos gastos públicos e pelos ataques ao Banco Central em razão da taxa básica de juros.

Lula também tem enfrentado dificuldades na relação com o Congresso, onde sofreu duras derrotas, como a rejeição pelo Senado da indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para o STF.

O petista assistiu ainda à derrubada de vários vetos, como o que barrava a redução de penas para condenados pelo 8 de Janeiro. Se for reeleito, Lula terá a prerrogativa de indicar pelo menos outros três ministros da Suprema Corte.

Trajetória política

Nascido em Garanhuns (PE), Luiz Inácio Lula da Silva trabalhou, em São Paulo, como ambulante, engraxate, ajudante de tinturaria e torneiro mecânico. Aos 17 anos, em 1964, sofreu acidente de trabalho, no qual perdeu o dedo mínimo da mão esquerda.

Lula iniciou sua trajetória política no movimento sindical, em 1966, e foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema em 1975.

Em fevereiro de 1980, Lula participou da fundação do Partido dos Trabalhadores, o PT. No dia 19 de abril do mesmo ano, ele foi preso por 31 dias devido a sua atuação na liderança de movimentos grevistas no ABC Paulista.

Em 1982, acrescentou o apelido “Lula” ao nome original. No mesmo ano, pelo PT, candidatou-se ao governo de São Paulo e ficou em quarto lugar. Quatro anos depois, em 1986, foi eleito deputado constituinte por São Paulo, na ocasião, ele foi o parlamentar mais votado no Brasil.

Lula disputou a Presidência pela primeira vez em 1989 e foi derrotado por Fernando Collor de Mello (PRN) no segundo turno. Em 1994, ele disputou novamente e perdeu, em primeiro turno, para Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em 1998, Lula tentou mais uma vez a eleição presidencial e foi derrotado novamente por FHC.

Em 2002, Lula foi eleito presidente da República após disputar o segundo turno contra José Serra (PSDB). Em 2006, derrotou Geraldo Alckmin (à época, integrante do PSDB) no segundo turno e foi reeleito.

Em 2010, o ex-presidente conseguiu eleger a sua sucessora, Dilma Rousseff (PT), que chefiou duas pastas nos governos Lula: o Ministério de Minas e Energia e a Casa Civil. Em 2014, Lula descartou disputar o Planalto e anunciou apoio à reeleição de Dilma.

Em julho de 2017, o ex-presidente foi condenado a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. Em abril de 2018, ele teve a prisão decretada pelo então juiz Sergio Moro e, alguns dias depois, se entregou à Polícia Federal após um ato na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Em 2021, uma decisão do ministro do Supremo, Edson Fachin, anulou as condenações e tornou Lula elegível. Na decisão, Fachin considerou que a 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelos casos da Lava Jato relacionados à Petrobras, não era a instância competente para julgar Lula — para o ministro, as acusações ao ex-presidente não tinham relação direta com a Petrobras.

Em abril do mesmo ano, o plenário do Supremo confirmou a decisão e enviou os processos para a Justiça Federal do Distrito Federal.

Em 2022, Lula formou uma ampla coalizão política contra o bolsonarismo, reunindo aliados históricos e antigos adversários.

Entre os apoiadores estavam nomes que, em outros momentos, foram críticos ao presidente e ao PT, como o ministro aposentado do STF Joaquim Barbosa, relator do Mensalão.

Na campanha, Lula voltou a adotar um discurso mais ao centro, buscando diálogo com o mercado financeiro.

Prometeu a retomada do crescimento econômico, a redução da pobreza e a preservação da democracia. Também divulgou uma carta aos evangélicos, na qual reafirmou ser contrário ao aborto e criticou o uso eleitoral da fé.

Lula venceu as eleições presidenciais de 2022 e retornou ao Palácio do Planalto para exercer seu terceiro mandato. O então presidente Jair Bolsonaro não participou da cerimônia de transmissão da faixa presidencial, que foi entregue ao petista por representantes da sociedade civil.

Dias depois, em 8 de janeiro de 2023, apoiadores de Bolsonaro protagonizaram atos de vandalismo e antidemocráticos na Praça dos Três Poderes.

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