homicídio de policial penal

Júri de Paccola é adiado para outubro após advogados deixarem defesa

O ex-vereador informou à Justiça que não pretendia ser assistido pela Defensoria Pública e que apresentaria um defensor particular de sua confiança

Por Valdemar Félix 26/08/2026 às 11:30 3 min de leitura

A sessão do Tribunal do Júri que deve julgar o ex-vereador Marcos Paccola, acusado da morte do agente de segurança socioeducativo Alexandre Miyagawa, de 41 anos, foi remarcado após os advogados do réu deixarem a defesa. Com isso, o Tribunal do Júri, marcado para ocorrer nesta quinta-feira (27), foi adiado para o dia 22 de outubro, às 9h.

A decisão foi proferida pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá. Os advogados Ricardo da Silva Monteiro e Bárbara Souza Silva Monteiro comunicaram a renúncia por motivo de foro íntimo, requerendo a intimação do acusado para constituição de novo patrono.

O ex-vereador informou à Justiça que não pretendia ser assistido pela Defensoria Pública e que apresentaria um defensor particular de sua confiança. Apesar disso, até presente data, segundo a magistrada, não há advogado habilitado nos autos em substituição aos renunciantes.

“O prazo de 10 dias concedido ao acusado para a constituição de novo defensor, contado da intimação pessoal realizada em 18/08/2026, somente se exaure em 28/08/2026, data posterior à sessão de julgamento originalmente aprazada para 27/08/2026”, cita a juíza.

A magistrada destacou que realizar o julgamento antes do fim do prazo poderia violar as garantias de ampla defesa e devido processo legal. Por isso, decidiu remarcar a sessão para outubro e determinou que, caso Paccola não constitua novo advogado dentro do prazo, a Defensoria Pública seja nomeada para assumir a defesa.

Paccola é acusado pelo Ministério Público de Mato Grosso de homicídio qualificado contra Alexandre Miyagawa. O crime ocorreu em 1º de julho de 2022, na Rua Presidente Arthur Bernardes, no bairro Quilombo, em Cuiabá.

Conforme a acusação que levou o ex-vereador a júri popular, Paccola efetuou disparos contra Miyagawa durante uma discussão entre o agente e a então namorada.

Conforme a acusação, durante o episódio, Alexandre teria sacado a arma que carregava consigo. O Ministério Público sustenta, porém, que o policial penal não teria ameaçado ou agredido as pessoas envolvidas na discussão.

Ainda segundo a denúncia, Paccola efetuou três disparos contra as costas de Alexandre, que não teria percebido a aproximação do acusado. Os tiros atingiram a região dorsal e provocaram a morte do policial penal por choque hipovolêmico hemorrágico.

O caso teve grande repercussão e resultou na cassação do mandato de Paccola por quebra de decoro parlamentar. Em 2024, a Justiça determinou que o ex-vereador fosse submetido ao Tribunal do Júri, decisão posteriormente mantida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso e pelo Superior Tribunal de Justiça.

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