Irajá Lacerda alerta para queda do Fies e impactos na qualificação profissional
Dados oficiais do INEP, SisFies e Caixa Econômica Federal apontam que o programa sofreu forte retração na última década

O advogado e ex-secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária, Irajá Lacerda, voltou a defender o fortalecimento do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) diante da queda no número de contratos do programa nos últimos anos. Para ele, a retomada da renegociação das dívidas estudantis é importante, mas também evidencia a necessidade de modernizar o sistema e ampliar o acesso ao ensino superior no Brasil.
O debate ganhou força após o governo federal retomar as condições de renegociação das dívidas do Fies. Segundo Irajá, a medida ajuda milhares de estudantes endividados, mas o principal desafio ainda é garantir que o financiamento chegue, de forma efetiva, aos jovens que mais precisam da educação para transformar suas vidas.
Dados oficiais do INEP, SisFies e Caixa Econômica Federal apontam que o programa sofreu forte retração na última década. Em 2014, o Fies alcançou o maior número de contratos da história, com cerca de 733 mil novos financiamentos. Já em 2023, o total caiu para pouco mais de 50 mil em todo o país, representando uma redução superior a 90%.
Em Mato Grosso, o cenário também preocupa. Apenas 727 estudantes foram contemplados pelo programa em 2023, número considerado baixo diante da demanda existente no estado.
Para Irajá Lacerda, a redução do alcance do Fies afeta principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade social, especialmente mulheres e jovens do interior. Em 2023, as mulheres representaram mais de 68% dos beneficiados pelo programa no Brasil, índice semelhante ao registrado em Mato Grosso.
“Por trás desses números existem realidades que não podem ser ignoradas: mães que buscam voltar a estudar para sustentar seus lares e jovens do interior que enxergam na educação uma chance real de mudar de vida. Quando o Fies perde força, o Brasil corre o risco de transformar o ensino superior em privilégio”, afirmou.
O ex-secretário também defende mudanças para tornar o programa mais sustentável e evitar o aumento da inadimplência entre os estudantes. Apesar da previsão de mais de 112 mil vagas para 2024 e 2025, além da criação do Fies Social, ele avalia que ainda existe dificuldade para transformar as vagas ofertadas em contratos efetivos.
“Muitos estudantes saíram da universidade com uma dívida pesada, difícil de pagar e, em alguns casos, incompatível com a renda encontrada no mercado de trabalho. Por isso, defender o fortalecimento do programa não é defender o Fies como ele era, mas um Fies mais justo, transparente e voltado para quem realmente precisa”, destacou.
Irajá reconhece avanços recentes, como a criação do Fies Social, mas reforça que o país precisa ampliar os investimentos em educação superior para garantir formação profissional, desenvolvimento econômico e mais oportunidades para a população.
“Corrigir falhas de gestão e enfrentar a inadimplência não pode significar aceitar um programa menor do que o Brasil e Mato Grosso precisam. O equilíbrio está em fortalecer a governança e garantir que a vaga oferecida se transforme em financiamento efetivo na ponta”, concluiu.


