SIRIRI POR TODA PARTE

Grupo Flor de Atalaia representa Mato Grosso em turnê de 40 dias na Europa

Serão mais de 40 apresentações em seis Festivais, que resultará em um videodocumentário inédito da trajetória entre Portugal e Espanha

Por Valdemar Félix 01/08/2026 às 11:30 5 min de leitura

O Grupo de Siriri Flor de Atalaia embarca no projeto “Siriri por Toda Parte – Turnê Internacional 2026” para uma das maiores ações de internacionalização da cultura popular mato-grossense. A delegação conta com 30 jovens, entre músicos, dançarinos e apoio, que viajam neste fim de semana (01.08) para Portugal e Espanha, em um movimento artístico que consolida a presença do Siriri, do Cururu e do Rasqueado, entre outras danças brasileiras, nos principais circuitos europeus de cultura popular. Toda a jornada será registrada para a produção de um videodocumentário, que retratará a trajetória do grupo entre os dois países e contribuirá para a preservação da memória dessa experiência histórica.

A turnê reúne jovens com idades entre 15 e 35 anos, majoritariamente negros e residentes em bairros periféricos de Cuiabá, cujas trajetórias de vida foram transformadas pela cultura popular. Além das apresentações abertas ao público, o grupo desenvolverá oficinas, rodas de conversa, intercâmbios culturais e encontros com artistas, estudantes e comunidades locais, fortalecendo o diálogo entre diferentes tradições e ampliando o reconhecimento internacional das manifestações culturais mato-grossenses.

A circulação internacional de 40 dias representa um marco para o Flor de Atalaia, que levará aos cenários europeus um espetáculo baseado nas expressões afro-indígenas e todas as manifestações folclóricas que representam a identidade de Mato Grosso e, sobretudo, brasileira.

O grupo leva no repertório a força do Siriri, Cururu e Rasqueado em uma narrativa que valoriza a coletividade, oralidade, religiosidade e os saberes populares. Também o Samba com a cultura do Carnaval, o Lundu Marajoara, o Carimbó, a lenda do Boto, o Forró e danças de matrizes africanas em mais de 40 apresentações, em seis Festivais, até o dia 07 de setembro.

ESPETÁCULO LEVA O PANTANAL À EUROPA

Entre os momentos mais marcantes está “O Santo Negro Pantaneiro e o Milagre do Renascimento”. Encenação que homenageia o Pantanal por meio da figura do Vigilato Canuto e da entrada de Nossa Senhora do Pantanal. Com a mensagem “Salve o Pantanal” estampada no manto da santa, o espetáculo une fé, cultura e consciência ambiental em um apelo pela preservação do maior bioma de Mato Grosso.

Ainda, o Lundu Marajoara, uma dança do cortejo que simboliza o encontro amoroso entre homem e mulher, preservando elementos da cultura popular brasileira.

Outro destaque é o figurino, desenvolvido especialmente para a turnê. Com músicas autorais e arranjos inéditos, as peças foram inspiradas nas araras que diariamente sobrevoam a sede do grupo, no bairro Parque Atalaia. As saias receberam movimentos que remetem ao voo das aves, enquanto as cores vibrantes representam a força da natureza, da alegria e da identidade cultural mato-grossense.

A confecção dos figurinos é assinada por Márcia Alves Fábula, do Ateliê de Costura, responsável pelo trabalho desenvolvido com o grupo há vários anos, em parceria com a artista plástica Dayana Trindade, que passou a integrar a equipe nesta temporada. “A natureza é uma fonte inesgotável de inspiração e a beleza feminina é a brasileira”, destaca a artista.

A direção geral é de Vitor Alessandro, presidente da Associação do Grupo de Siriri Flor de Atalaia, com direção artística e musical de Danielle Dias. As coreografias levam a assinatura de Breno Magalhães e Frank da Silva, enquanto a presidente de honra é Cristina Zuita, responsável por acompanhar a trajetória do grupo desde sua formação.

DA PERIFERIA DE CUIABÁ

“No palco, dançamos mais que uma coreografia: dançamos nossa cultura, história e tradição. Tenho amor profundo pela dança. Minha paixão é dançar o Siriri que é onde minhas raízes encontram minha voz e cada passo conta a história do meu povo. Tenho orgulho de carregar essa cultura no peito e representar o Siriri por onde eu passar”, descreve o dançarino Victor Souza.

Mais do que uma circulação artística, a turnê representa uma ação de inclusão social e valorização da juventude periférica do grupo, formado por mais de 90 integrantes, onde 30 foram selecionados.

INTERNACIONALIZAÇÃO DO SIRIRI

O projeto busca fortalecer a autoestima dos participantes, ampliando o repertório cultural e profissional; criar redes de cooperação internacional, em busca de parcerias, visibilidade e consolidação da cultura popular mato-grossense em circuitos globais. A expectativa é alcançar mais de 10 mil pessoas entre público presencial e digital.

A “Turnê Internacional Siriri por Toda Parte – 2026” é uma realização da Associação Grupo de Siriri Flor de Atalaia em rede com o Instituto INCA-Inclusão, Cidadania e Ação, com investimento da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), reafirmando a cultura popular como instrumento de transformação social, diplomacia cultural e fortalecimento da identidade brasileira no cenário mundial.

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