Risco de apagão

Governo Federal antecipa usinas de energia para conter super El Niño, entenda

Comitê do Setor Elétrico autoriza usinas a gerarem energia antes do prazo para evitar colapso no abastecimento e suportar pico de consumo no segundo semestre

Por Camila Almeida 26/07/2026 às 15:00 4 min de leitura

Para evitar falhas no fornecimento de luz e garantir que o ar-condicionado continue funcionando durante o período mais quente do ano, o governo federal decidiu agir preventivamente. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) autorizou a antecipação de 1,8 Gigawatt (GW) de energia adicional para reforçar a rede elétrica do país a tempo de enfrentar o rigor do El Niño.

A decisão atende a um alerta do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A avaliação é que a combinação perigosa entre secas no Norte e disparada do consumo em todo o Brasil pode sobrecarregar o sistema nos próximos meses. Abaixo, entenda a gravidade do cenário climático e as medidas adotadas para conter a crise:

O risco do ‘Super El Niño’ em 2026

Projeções da agência climática dos Estados Unidos (NOAA) acenderam o sinal vermelho para o clima global até o fim do ano.O fenômeno pode atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro.

Se a previsão se confirmar, será o evento mais severo registrado desde 1950. O alerta ocorre em meio a ondas extremas de calor na Europa, que vêm paralisando infraestruturas e sobrecarregando o sistema de saúde.

O que é o El Niño? É o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse fenômeno altera o clima em todo o planeta, provocando secas severas no Norte do Brasil e chuvas intensas no Sul, além de elevar as temperaturas médias globais.

Entenda o Fenômeno

Super El Niño no Brasil 🌊

Veja como o aquecimento das águas do Oceano Pacífico muda o clima em cada região do país:

🌡️
O que acontece no oceano?

As águas do Pacífico Equatorial aquecem acima do normal. Esse calor extra altera as correntes de vento no mundo todo, “reorganizando” onde vai chover e onde vai fazer calor no Brasil.

Norte Seca Severa
🔥 🌵 🛶

Estiagem nos Rios & Calor

O bloqueio de umidade reduz drasticamente as chuvas. Os rios da Amazônia baixam, afetando o transporte hidroviário e aumentando o risco de queimadas.

Nordeste Estiagem e Sol
☀️ ☀️ 🌾

Seca Prolongada

A intensidade das chuvas despenca, especialmente no Semiárido. As temperaturas sobem e o período de seca fica bem mais longo e severo.

Centro-Oeste Calor Extremo
🌡️ 🚜 ⚡

Ondas de Calor & Chuva Irregular

Termômetros batendo recordes frequentes. As pancadas de chuva ficam desreguladas, o que pode atrapalhar o calendário de plantio da agricultura.

Sudeste Abafado
🥵 🕶️ 🏙️

Bloqueios Atmosféricos

Frentes frias têm dificuldade para avançar. A região enfrenta sequências de dias muito quentes e secos, com pancadas isoladas no verão.

Sul Chuvas Intensas
🌧️ 🌩️ 🌊

Tempestades & Enchentes

Na contramão do resto do país, o Sul recebe volumes de chuva muito acima da média, com episódios frequentes de temporais e granizo.

Por que o setor elétrico está em alerta?

A seca e as altas temperaturas afetam a produção e a demanda de energia ao mesmo tempo:

  • Queda nas hidrelétricas: O El Niño reduz o nível dos rios e a geração de energia na Região Norte.
  • Explosão de consumo: O calor extremo faz a população e as empresas usarem mais aparelhos de refrigeração, elevando a demanda ao limite.

A estratégia do governo para proteger o consumidor

A ação emergencial prevê o adiantamento de contratos já firmados para acelerar a entrega de energia ao mercado:

  • Usinas antecipadas: 5 empresas privadas autorizadas a iniciar as operações antes do prazo.
  • Volume liberado: 1,8 GW dos 2,2 GW contratados nos leilões de reserva realizados em março.
  • Objetivo principal: Evitar racionamentos, conter picos de tarifas e garantir a estabilidade do sistema nos meses críticos.

*Sob supervisão de Gene Lannes

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