PISA 2025

Geração tela: nota em leitura de jovens de 15 anos despenca ao menor nível do século

Maior avaliação educacional do mundo aponta que excesso de smartphones e dependência de chatbots de inteligência artificial estão atrasando a aprendizagem dos adolescentes

Por Camila Almeida 10/09/2026 às 09:30 3 min de leitura

A troca dos livros pelas telas e a dependência de ferramentas de inteligência artificial estão custando caro ao aprendizado da juventude. Os adolescentes de 15 anos apresentam hoje os piores índices de leitura, matemática e ciências registrados em todo o século 21, acumulando um atraso no aprendizado equivalente a um ano letivo inteiro em comparação com as gerações anteriores.

O alerta definitivo vem do mais recente Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa 2025), publicado pela OCDE após avaliar 760 mil estudantes em 91 países.

A queda histórica nas notas de leitura e exatas

Os dados mostram um declínio contínuo na capacidade de interpretação de texto, que acabou puxando para baixo o desempenho nas demais áreas do conhecimento. A queda de rendimento foi observada de forma geral, atingindo até mesmo alunos de famílias com maior renda.

  • Leitura: o indicador despencou de 501 pontos (em 2012) para 466 pontos na última avaliação.
  • Matemática: caiu de 502 pontos para 469 pontos no mesmo período.
  • Ciências: encolheu de 506 pontos (pico em 2009) para os atuais 486 pontos.
  • Destaques globais: o Leste Asiático (Japão, Coreia do Sul, Singapura, Taiwan e cidades da China) lidera o ranking global, com Estônia e Reino Unido entre as poucas exceções ocidentais no topo.

O impacto dos smartphones na sala de aula

Embora a OCDE não recomende explicitamente o banimento total dos celulares nas escolas, a pesquisa deixa claro o peso da “distração digital”. Em 59 dos 82 sistemas de ensino analisados, o uso constante de dispositivos esteve diretamente ligado a notas piores.

Mais de 25% dos alunos admitiram que os aparelhos atrapalham a atenção durante as aulas. O estudo aponta que os jovens passam, em média, 3,4 horas diárias usando telas apenas para lazer, além de outras três horas voltadas para estudos. Segundo os especialistas, o uso de dispositivos por mais de cinco horas por dia compromete inevitavelmente a absorção do conhecimento.

Inteligência Artificial: ajuda ou atalho prejudicial?

O relatório trouxe também um dado inédito sobre o uso de chatbots de IA por quase metade dos estudantes. Embora a tecnologia possa ajudar nos estudos quando bem dosada, o uso inadequado tem gerado o efeito oposto.

Alunos que utilizam a inteligência artificial como atalho para redigir redações, resumir textos e fazer pesquisas prontas registraram notas cerca de 20 pontos menores em ciências, o equivalente a perder um ano inteiro de evolução escolar.

*Sob supervisão de Gene Lannes

Leia Também

Deixe seu comentário