Operação Janus

Em operação Polícia mira grupo que usava perfis falsos para enganar compradores e vendedores de veículos

De acordo com as investigações, o grupo utilizava o chamado “golpe do terceiro intermediário”, uma fraude em que criminosos simulam negociações legítimas

Por Eder Pereira 06/05/2026 às 12:00 3 min de leitura

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (6), a Operação Janus, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso suspeito de atuar em esquemas de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ao todo, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias de 21 investigados.

A Justiça também determinou a indisponibilidade de até R$ 160 mil, valor estimado como prejuízo causado às vítimas, com a finalidade de possibilitar o ressarcimento dos danos. As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias de Cuiabá, com base em investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Estelionato da capital.

As ações ocorreram em Cuiabá, Várzea Grande e Santo Antônio do Leverger, além de municípios nos estados de Minas Gerais e Acre.

Golpe do “terceiro intermediário”

De acordo com as investigações, o grupo utilizava o chamado “golpe do terceiro intermediário”, uma fraude em que criminosos simulam negociações legítimas na compra e venda de veículos anunciados pela internet. Nesse esquema, os golpistas se passam por intermediários, enganando simultaneamente comprador e vendedor para obter vantagem financeira.

As apurações começaram após duas vítimas serem lesadas em janeiro de 2024. Durante as diligências, a polícia identificou o principal articulador do esquema, responsável por criar perfis falsos em redes sociais e coordenar as negociações fraudulentas.

Outros investigados atuavam como titulares de contas bancárias usadas para receber os valores desviados ou como operadores no processo de ocultação dos recursos ilícitos.

Estrutura de lavagem de dinheiro

As investigações apontaram ainda que o grupo mantinha uma estrutura organizada de lavagem de dinheiro, com uso de contas bancárias em diversos estados, incluindo Mato Grosso, Minas Gerais, Acre, Rondônia e Rio de Janeiro.

Os valores obtidos com os golpes eram movimentados por meio de transferências sucessivas e fracionadas, prática conhecida como “triangulação”, que dificulta o rastreamento da origem do dinheiro.

O delegado responsável pelo caso, Bruno Palmiro, destacou que a operação reforça o combate qualificado a crimes patrimoniais e financeiros, especialmente aqueles praticados por meio digital.

Origem do nome

O nome da operação, “Janus”, faz referência à figura mitológica de duas faces, simbolizando a forma como os criminosos se apresentavam de maneira diferente para cada vítima — enganando tanto compradores quanto vendedores durante as negociações.

criar um titulo focando modo operande

Golpe do “terceiro intermediário”: grupo usava perfis falsos para enganar compradores e vendedores de veículos

Leia Também

Deixe seu comentário