Diretor de agência, assessor e vereadores são suspeitos de desvio de cestas básicas
Todos os alvos da Operação passaram por busca e apreensão, incluindo as residências, gabinetes da Câmara Municipal e a sede da AGIRF

A Polícia Civil deflagrou, nesta sexta-feira (3), em Barra do Garças, a Operação Mesa Vazia para cumprir 47 ordens judiciais em uma investigação que apura um suposto esquema de desvio de cestas básicas e kits de higiene e limpeza destinados a famílias em situação de vulnerabilidade social. Entre os investigados estão o diretor institucional da Agência de Regulação e Fiscalização (Agirf), Benier Marcos Silva, seu assessor Renato de Souza Soares, o “Renatinho”. Também são alvos da investigação os parlamentares Valdeí Leite Guimarães, o “Pebinha”, Adilson Tavares Lopes, Allankley Lopes de Souza, conhecido como “Alan Construtor”, Armando José de Brito e Elton Melo.
Por determinação do juiz, Luis Felipe Lara de Souza, do Núcleo de Justiça do Juiz das Garantias de Barra dos Garças, Benier Marcos Silva e Renato de Souza Soares foram afastados de suas funções na AGIRF pelo prazo de 90 dias para evitar interferência nas provas.
As investigações indicam que parte das cargas que deveriam ser distribuídas regularmente à população teria sido desviada para um sistema paralelo, sem controle institucional e sem prestação de contas. Foram cumpridas 47 ordens judiciais entre mandados de busca e apreensão, quebras de sigilo telefônico e de dados, afastamentos de funções públicas e outras medidas cautelares.
Durante a operação, os policiais buscam apreender documentos, equipamentos eletrônicos, registros digitais e outros materiais que possam esclarecer a dinâmica do suposto esquema, identificar todos os envolvidos e confirmar a destinação dos produtos.
Segundo a Polícia Civil, cerca de 13 mil cestas básicas teriam sido desviadas entre 2021 e 2025. Com valor estimado de R$ 150 cada, o prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 1,95 milhão. As investigações apontam que o esquema operava em dois formatos. No primeiro, as cestas eram entregues normalmente às unidades públicas, com toda a documentação exigida.
Já no segundo, considerado clandestino, as cargas eram desviadas para residências, chácaras, sedes de associações e outros imóveis particulares. Depois, os produtos eram redistribuídos entre integrantes do grupo, havendo suspeita de que parte deles fosse comercializada.
Todos os alvos da Operação passaram por busca e apreensão, incluindo as residências, gabinetes da Câmara Municipal e a sede da AGIRF. A quebra de sigilo também foi autorizada, tanto para troca de mensagens quanto para os dados em nuvens, com o objetivo de reconstruir a rede de contatos do grupo. Os investigados estão proibidos de se comunicar com testemunhas, motoristas e beneficiários do programa social.
Embora tenha reconhecido a gravidade das suspeitas e a existência de indícios consistentes do esquema, o juiz Luis Felipe Lara de Souza, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, negou os pedidos de prisão preventiva dos investigados. Na decisão, o magistrado afirmou que a Polícia Civil ainda não demonstrou risco atual que justificasse a medida extrema, como ameaça a testemunhas, interferência nas investigações ou continuidade comprovada dos supostos desvios.


