Custo bilionário da ludopatia no SUS motiva MP para banir apostas e assusta times
Estudo revela que gastos com tratamento de vício em apostas superam arrecadação de impostos, levando Planalto a cotar Medida Provisória enquanto futebol teme perda bilionária

O vício em apostas virtuais (ludopatia) deixou de ser apenas uma preocupação comportamental e se tornou uma crise de saúde pública e financeira no Brasil. Diante de um impacto estimado em R$ 30,6 bilhões por ano nos cofres do Sistema Único de Saúde (SUS), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia assinar uma Medida Provisória (MP) para banir o funcionamento das casas de apostas no país.
O peso do vício nos cofres da saúde
Um estudo recente do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) escancarou a disparidade entre o que o governo arrecada com o setor e o que gasta para tratar as consequências do jogo:
- R$ 30,6 bilhões por ano: Custo gerado ao SUS com atendimentos de ansiedade, depressão e consequências graves associadas à dependência de jogos
- +140% de aumento: Crescimento na procura por atendimento médico na rede pública devido ao vício em apostas nos últimos cinco anos
- Apenas 1% repassado: Percentual da arrecadação tributária das operadoras destina ao Ministério da Saúde para combater o problema
Atualmente, as casas pagam 12% de imposto sobre a receita bruta, enquanto prêmios acima de um salário mínimo são taxados em 15%. No entanto, a conta do tratamento médico custeada pelo contribuinte supera em muitas vezes o valor arrecadado.
Clubes de futebol temem colapso financeiro
Se por um lado o Governo busca conter os danos à saúde coletiva, por outro, a cartolagem do futebol brasileiro vê com apreensão o eventual fim das bets. O setor tornou-se o maior patrocinador do esporte no país.
Dados da consultoria Convocados apontam que o setor injeta R$ 1,03 bilhão por ano apenas nos patrocínios máster da Série A do Brasileirão, além de investir na Série B, arenas e direitos de transmissão.
Diversas equipes já se manifestaram publicamente contra o banimento. Os dirigentes argumentam que a solução ideal seria endurecer as regras de fiscalização e campanhas de conscientização, em vez da proibição total da atividade legalizada em 2025.
Clubes da Série A e bets
- Flamengo – Betano
- Palmeiras – Sportingbet
- Fluminense – Superbet
- Cruzeiro – Betnacional
- Atlético – H2Bet
- Coritiba – FoxLux
- Bragantino – Red Bull
- Santos – Novibet
- Botafogo – Vbet
- São Paulo – Superbet
- Vitória – Bet7k
- Corinthians – Esportes da Sorte
- Grêmio – Pitaco
- Vasco – Sportingbet
- Remo – VaideBet
- Chapecoense – ZeroUm
*Sob supervisão de Gene Lannes


