Confrontos

Bate-boca na Câmara de VG expõe disputa por projetos e acirra racha entre vereadores

Cobrança por tramitação de 19 propostas do Executivo provoca troca de acusações, ataques pessoais e apelo por pacificação no Legislativo municipal

Por Eder Pereira 28/10/2026 às 16:30 4 min de leitura

A tramitação de projetos encaminhados pelo Executivo municipal provocou um confronto entre vereadores durante sessão da Câmara Municipal de Várzea Grande, na terça-feira (27). A discussão começou com a cobrança pela análise de propostas paradas nas comissões e terminou com acusações, xingamentos e pedidos de respeito entre os parlamentares.

O vereador Rogério de França Martins, o Rogerinho da Dakar (PSDB), pediu a inclusão de nove projetos na pauta e afirmou que 19 propostas do Executivo aguardam andamento nas comissões, entre elas a Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ). Segundo ele, a demora compromete iniciativas relacionadas ao Centro Tecnológico, à merenda escolar e à destinação de recursos.

“Está travando a cidade”, declarou Rogerinho, ao cobrar providências da presidência da Casa e dos integrantes das comissões, especialmente diante da proximidade do encerramento do ano legislativo.

A cobrança provocou reações divergentes sobre os motivos da demora. O presidente da CCJ, Alessandro Moreira (MDB), afirmou que parte dos projetos apresenta inconsistências e precisa de ajustes antes de ser submetida à votação. Como exemplo, citou uma proposta relacionada ao Parque Tecnológico, que envolveria um empréstimo de aproximadamente R$ 23 milhões.

Alessandro questionou a ausência de informações sobre juros e prazo de pagamento na documentação que, segundo ele, foi encaminhada à Câmara. O vereador negou ser contrário à proposta e anunciou uma força-tarefa com outros parlamentares para revisar as matérias e encaminhar eventuais correções ao Executivo.

O posicionamento foi contestado por Bruno Rios (PL), que acusou a comissão de atrasar a tramitação ao não emitir pareceres. Para ele, eventuais falhas devem ser formalizadas nos documentos, permitindo que a Prefeitura faça as correções necessárias.

“O problema é que fica segurando o processo, não dando o parecer”, afirmou Bruno, ao cobrar que os questionamentos sejam registrados por escrito.

A discussão ganhou contornos pessoais quando a vereadora Giza Barros (Podemos) chamou Bruno de “moleque mentiroso” e o acusou de usar a tribuna para fazer ataques políticos e produzir conteúdo para as redes sociais. Ela afirmou que diversas propostas apresentavam erros e defendeu o trabalho realizado pela CCJ para corrigir as inconsistências.

Alessandro também elevou o tom e chamou Bruno de “fofoqueiro” e “desagregador”, acusando-o de levar conversas sobre vereadores da base governista ao Executivo municipal. O parlamentar reafirmou que a Câmara não estaria impedindo o andamento da administração e que as comissões trabalham para viabilizar a análise das propostas.

Diante do clima de confronto, o vereador Cleiton Nassardem Guerra, conhecido como Sardinha (MDB), pediu o fim dos ataques pessoais e defendeu que as divergências partidárias não se sobreponham aos interesses da população.

“Acima do MDB está o munícipe de Várzea Grande. Acima do PL está o munícipe de Várzea Grande”, declarou. Ele reconheceu que projetos podem chegar com erros, mas defendeu o diálogo entre Legislativo e Executivo para solucionar os problemas.

O presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), também saiu em defesa das comissões e da Procuradoria Legislativa. Segundo ele, propostas encaminhadas com falhas já foram corrigidas em outras ocasiões antes de serem aprovadas.

O episódio expôs divergências sobre a responsabilidade pelos atrasos e a condução dos trabalhos legislativos. A situação dos 19 projetos citados por Rogerinho e os prazos para análise das propostas permanecem como pontos centrais da discussão.

Além do embate político, o desafio da Câmara é esclarecer quais matérias aguardam pareceres, quais precisam de correções e quando poderão ser votadas. A definição desses pontos será fundamental para dar transparência à tramitação e permitir que os projetos de interesse do município avancem sem comprometer a análise técnica.

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