STF homologa delação de Nadaf que acusa conselheiros de “achaque”

Da Redação: Pedro Ribeiro / G Alves

Especial para o Mato Grosso

 

A bomba que explodiu – na semana que passou – no seio do Tribunal de Contas de Mato Grosso, quando a imprensa revelou a extorsão de R$ 50 milhões que os conselheiros fizeram contra o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), tinha tudo para que essa semana fosse de calmaria. Doce ilusão.

A coleção de dados, documentos e depoimentos protagonizados pelo ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, foi homologada ontem, 03, pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF) e confirmada pela juíza Selma Rosane Santos Arruda, titular da Sétima Vara Criminal, com os réus da terceira fase da Operação Sodoma. Segundo a magistrada, a delação de Pedro Nadaf foi juntada na ação penal da Sodoma III. Nadaf que fez acordo de delação premiada e confirmada pelo Ministério Público Federal (MPF), comprometeu em devolver os milhões ´surrupiados´ e entregou todo mundo(deputados, empresários e agentes públicos) que ´nhaparam´ milhões do erário.

O ex-secretário também revelou o pagamento de R$ 50 milhões a título de propina para os conselheiros do TCE de Mato Grosso. De acordo com a delação do ex-secretário, os conselheiros abriram as portas do poder, no Palácio Paiaguás, e ´enquadraram´ o ex-governador para que ele pagasse – a título de propina – a bagatela de R$ 50 milhões. O valor, segundo Nadaf, foi dividido entre cinco conselheiros, entre eles o atual presidente Antônio Joaquim de Moraes Rodrigues Neto, José Carlos Novelli, Valter Albano, Waldir Júlio Teis e Sérgio Ricardo(este ultimo afastado pela justiça por corrupção).

Foi o ex-secretário que cuidou pessoalmente dos interesses de Silval e de sua quadrilha para ´surrupiar´ os milhões desviados dos cofres públicos do estado. Em contrapartida, a organização criminosa ficou a deriva de outros larápios da dinheirama pública, como os conselheiros da corte de contas de Mato Grosso, conforme relatou Nadaf. O TCE – sob a batuta dos conselheiros – montaram uma sofisticada engrenagem de corrupção, aliada a um sustento de poder – para aprovação das contas do Governo no TCE, além de fazerem vista ‘grossa’ na fiscalização de quase R$ 2 bilhões das obras da Copa do Mundo realizado em Cuiabá em 2014, além de oferecer vantagens fazendo ouvidos ´mouros´ sobre os incentivos fiscais e o Programa MT Integrado, e que deveriam ter sido fiscalizado com afinco pelos conselheiros, mas, conforme a delação do ex-secretário, foram aprovadas em troca de pagamentos de propinas para os representantes da corte.

A delação de Nadaf está sendo conhecida como a “delação do fim do mundo” no estado. São denuncias dramáticas e cheios de nuances e que atingem em cheio os principais partidos políticos, líderes e empresários e coloca o TCE no ´olho do furação´. Todos, com variações de intensidade, mas, com a mesma natureza, se locupletar do dinheiro público. É corrupção na veia.