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Plano de Ação da Secretaria de Saúde centraliza ações para Upas e Policlínicas

Secretaria lançará até dia 5 de fevereiro um processo seletivo exclusivo para médicos

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Saúde

Foto: Davi Valle - Secom-Cuiabá

O Plano de Ação da Secretaria Municipal de Saúde, determinado pelo prefeito Emanuel Pinheiro e apresentado a ele pela equipe técnica na última sexta-feira (13), já está em execução. Um dos principais gargalos apontados, que é a questão dos atendimentos nas UPAs e Policlínicas, já tem apresentado melhorias após a implementação das novas ações.

“Devido à dificuldade com a falta de médicos, mesmo depois de termos realizado dois processos seletivos simplificados, optamos por realizar um chamamento público para empresas prestadoras de serviços. Diante da desistência de algumas empresas, foi realizada a substituição por outras, devidamente credenciadas, o que permitiu restabelecer os atendimentos nas unidades de Atenção Secundária”, explicou a secretária adjunta da pasta, Flavia Guimarães.

Após a regularização nos atendimentos nas unidades da Secundária nesta semana, a média de atendimentos por dia chegou a 150 pacientes em cada Policlínica (Pedra 90, Planalto e Coxipó) e a 300 pacientes diariamente em cada UPA (Verdão, Morada do Ouro e Pascoal Ramos).

Outra questão que está sendo resolvida é a publicização das escalas médicas nas unidades. “Já determinamos a todas as unidades que deixem as escalas médicas à vista da população, na recepção das UPAs e Policlínicas. Todas as unidades possuem um quadro onde são afixadas as escalas e em cada uma haverá uma pessoa responsável por este trabalho”, comentou Flávia.

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Também como medida emergencial, a Secretaria Municipal de Saúde vai lançar, até o dia 5 de fevereiro, um processo seletivo para contratação de médicos, que vão trabalhar na rede municipal em conjunto com as empresas credenciadas, enquanto os trâmites do concurso público (já lançado) ainda estiverem sendo realizados. “Entre a realização do concurso público e a convocação dos aprovados, a estimativa é que sejam necessários três meses. Como queremos resolver definitivamente a questão da falta de médicos, vamos lançar outro processo seletivo exclusivo para a contratação de médicos. A ideia é oferecer 105 vagas, das quais 35 serão para as unidades básicas que estão sem médicos e 70 para as UPAs e Policlínicas, para não corrermos mais riscos de furo nas escalas”, conclui a adjunta.

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Saiba o que é a hidradenite supurativa e quais os fatores de risco

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Doença de pele pouco conhecida, a hidradenite supurativa é uma doença negligenciada que pode levar à depressão, ansiedade e, inclusive, ao isolamento social e a dificuldades profissionais. Em entrevista à Agência Brasil, o dermatologista Wagner Galvão, especialista na doença, enumerou entre os fatores de risco para a hidradenite supurativa a obesidade, o tabagismo e atrito nas áreas de dobras.

A hidradenite supurativa é uma doença inflamatória de pele, dolorosa e crônica, caracterizada por nódulos e caroços que aparecem com frequência em regiões de grandes dobras no corpo, como as axilas, sob as mamas, nádegas e entre as regiões genitais. Eventualmente, pode surgir também no couro cabeludo, nuca e face. Esses caroços, que podem ser do tamanho de uma ervilha até o de uma bola de gude, tendem a soltar pus. Apesar de a doença estar ligada à predisposição genética, a obesidade e o tabagismo podem ser gatilhos para agravar o quadro inflamatório.

Galvão, que é membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) regional São Paulo, onde participa do Grupo de Doenças Autoimunes, destacou a importância do diagnóstico precoce. “Para intervir precocemente, para que a pessoa não venha, com a progressão da doença, ter as complicações e problemas que são o grande fardo da hidradenite supurativa”.

Hidradenite Supurativa Hidradenite Supurativa

Dermatologista Wagner Galvão defende a importância do diagnóstico precoce da hidradenite supurativa  – Wagner Galvão/ divulgação

Como se trata de uma doença que evolui em crise, as lesões que aparecem nas axilas, virilha, nádegas ficam vermelhas, dolorosas, muitas vezes soltando pus. A história normal do paciente é procurar ajuda em pronto-socorro. Wagner Galvão afirmou porém que, muitas vezes, os médicos de pronto-socorro têm dificuldade de fazer diagnóstico. “Tipicamente, o atraso do diagnóstico entre o surgimento das lesões e o paciente chegar ao diagnóstico da hidradenite supurativa leva 12 anos e ele passa, em média, por 14 médicos, até conseguir o diagnóstico”, revelou o especialista.

O conceito de prevenção se equipara à prevenção secundária. Ou seja, identificar antes para não evoluir. “Para fazer o diagnóstico, eu preciso da lesão típica no lugar típico de uma decorrência de crise. Sem a lesão, eu não consigo falar nada. Para eu conseguir intervir, a pessoa já tem o problema”. Galvão destacou que, quando o dermatologista intervém precocemente, consegue evitar grandes complicações. Significa que, desse modo, as lesões, ou caroços, não evoluem a tal ponto de prejudicar a pessoa e fazê-la entrar em depressão. “A gente minimiza muito os impactos da doença, que podem ser tenebrosos. Quando a gente diagnostica precocemente é a janela de oportunidade para impedir a evolução da doença”, reforçou.

Prevalência

Estudos de prevalência mostram que a hidradenite supurativa atinge 0,4% da população no Brasil. “Muitas vezes, essa prevalência é subestimada, por atraso de diagnóstico. No mundo, a proporção de casos graves é, em geral, em torno de 5%”. No Brasil, os casos graves representam quase 40%, informou Wagner Galvão. Segundo ele, os casos são mais comuns em afrodescendentes e em mulheres. “Cerca de 60% a 70% dos casos são em mulheres”, informou.

Existe uma razão para isso. É que, normalmente, a doença está associada a uma fase hormonal mais bem definida na mulher do que no homem. “Eu tenho mais casos em mulheres. Mas, quando olho somente os casos mais graves, não tenho uma diferença tão grande entre homens e mulheres”. Nos homens, há menos casos mas, proporcionalmente, há mais casos graves.

Por faixa etária, a doença começa, tipicamente, na puberdade ou na fase pré-púbere, por volta dos 10 anos, 12 anos, 14 anos, podendo surgir mais tarde. Ela é menos comum na fase infantil, quando está associada a síndromes de algumas doenças autoinflamatórias.

Galvão participa, nesta semana, do Congresso Europeu de Hidradenite Supurativa. Naquela região, o diagnóstico é melhor, afirmou o médico brasileiro, que vai participar das discussões sobre a doença.

Tratamento

Wagner Galvão explicou que o tratamento para a doença depende do estágio de gravidade. “Houve um grande avanço, nos últimos anos, no tratamento da hidradenite supurativa”, comentou. Em casos leves, são usados cremes e pomadas, além de outras medidas para reduzir crises. Nos casos que vão de intermediários a graves, existe uma medicação imunobiológica denominada Adalimumabe, disponível atualmente no Brasil no Sistema Único de Saúde (SUS) e também coberta pelos planos de saúde. No site do Ministério da Saúde, o SUS publicou o primeiro Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para tratar a doença. O protocolo inclui terapias inovadoras, como, medicamentos biológicos, disponíveis atualmente também em planos de saúde privados.

No verão, por conta das alterações de temperatura, é preciso ter cuidados especiais, como roupas mais folgadas e de tecido leves nos dias mais quentes, que não friccionem a pele, alertam os especialistas. Wagner Galvão é também médico do Hospital Sírio-Libanês e do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ambos em São Paulo. 

Edição: Juliana Andrade

Fonte: EBC Saúde

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