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DELAÇÃO PREMIADA: IMPUNIDADE?

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Por: AUREMÁCIO CARVALHO

 

O STF- Supremo Tribunal Federal deu o primeiro passo com a petição 7074, sobre os limites de atuação do ministro-relator (ou do magistrado isoladamente) na homologação de acordos de “colaboração premiada”. Está debruçado sobre a tormentosa questão da chamada “delação premiada”. Na semana passada, 07 Ministros votaram pela autonomia do Relator isoladamente e não do Colegiado (turma ou Plenário) para aceitar e aprovar a proposta de Delação premiada que lhe é submetida,  via Ministério Público-(PGR). Os quatro outros Ministros que ainda vão votar, já deram sinais em intervenções pontuais que vão adotar a mesma postura. A questão a ser definida nesta semana, é a extensão do teor, principalmente das promessas feitas ao Réu, algumas até livrando-o de penas ou processos futuros, como aconteceu com o famoso Joesley Batista. Ou seja, o Juiz, isoladamente ou a turma colegiada, na sentença final, pode mudar seus termos? E, se a delação contiver uma aberração jurídica? Por exemplo, uma inovação contra a lei expressa (O Procurador não apresentará Denúncia x o MP é o autor da ação penal?). É válida? Essa é uma das indagações do Ministro Gilmar Mendes (que ainda não votou), mas que promete esquentar o ambiente, como é habitual em suas intervenções. Qual é o papel do Ministério Público nos acordos à luz da própria Constituição, e não apenas da Lei Anticorrupção (lei 12.846/2013)? É outro tema que, sem dúvida, vai aflorar nessa discussão. No Brasil, o art. 127, caput, da Constituição, confere ao Ministério Público o caráter de “instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”. O art. 129, II, impõe-lhe “zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados na Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia”. Nos últimos tempos, com a constante atuação da operação Lava Jato, tornou-se comum a presença não só de advogados que exercem a defesa dos réus presos ou em liberdade, na costumeira praxe forense, como também de outros profissionais do Direito, que realizam o assessoramento e acompanhamento dos acusados que pretendem fazer a delação ou colaboração premiada. É comum, pelo menos de acordo com as notícias veiculadas, que o réu, geralmente preso em razão de decretação de prisão preventiva, antevendo inevitável condenação, não em razão de deficiente postura de seu defensor, mas sim pela pesada carga probatória que o atinge, desiste do advogado que o representava na lide penal e providencia a contratação de outro, “especializado em colaboração premiada”. É louvável que o Advogado que o assistia deixe a causa, pois fere suas convicções e linha de defesa adotada negociar, agora, com o MP. É indiscutível que a extensão do benefício será condizente com a quantidade de informação ofertada (provas documentais concretas) e que tenha suporte probatório para alicerçar a proposta acusatória promovida com relação aos réus duplamente denunciados, tanto pelo Ministério Público, pela denúncia oficial, como pelo delator, no papel de “colaborador”. Pode-se até dizer que se trata de uma “barganha” que se faz com o acusador público-(MP), pois irá conferir a ele informações privilegiadas a respeito de uma conduta ilícita praticada por um grupo criminoso e, em compensação, receberá os dividendos processuais de seu discutível “arrependimento”- acentuada diminuição da pena, ou prisão domiciliar, ou nenhuma prisão. Não há contraditório com relação ao procedimento e sim termos de ajustes de propostas até que seja selado um acordo consensual, submetendo-o, posteriormente, à homologação pelo Judiciário, justamente para resguardar os direitos do colaborador que, pela sua conduta, já que se encontra no exercício de um direito legalmente consagrado. Muitos operadores do Direito – Advogados, Juízes, Promotores- discordam do instituto da delação; argumentando que a delação incentiva o crime, pela perspectiva de impunidade. Será? A delação, modernamente encontra-se em diversas legislações, com a figura do colaborador da justiça “arrependido”-(a sinceridade desse arrependimento, é outra história). Assim, tem-se, por exemplo, no Direito anglosaxão, o chamado witness crown (literalmente “testemunha da coroa”), que obtém imunidade em troca de seu testemunho, e as hipóteses de transação penal que permitem ao imputado que testemunhar contra os demais participantes com redução da condenação. Assim, no moderno Direito Penal estas normas têm proliferado em todo mundo, principalmente em setores graves da criminalidade como o crime organizado, o narcotráfico e o terrorismo. Em suma, a delação trata da(s) afirmativa(s) feita por um acusado, ao ser interrogado em juízo ou ouvido na esfera policial ou pelo Ministério Público, além de confessar a autoria de um fato criminoso, igualmente atribui a um terceiro a participação como seu comparsa; revela a existência de bens e valores ocultos, etc;  daí, o “prêmio” da redução da pena; no Brasil, em até dois terços. Trata-se de um estímulo à verdade processual comprobatória dos fatos do inquérito policial ou da Denúncia, semelhantemente à previsão da confissão espontânea, sendo, portanto, instrumento que ajuda na investigação e repressão de crimes. Daí seu uso e validade, apesar das críticas; diversos juristas debatem se a conduta de delatar com o intuito de receber um “prêmio” estaria de acordo com a ética. Ou seja, o fim (a busca da verdade real) justifica o meio (a delação)? A delação passa a ser considerada como prova a partir do momento que o delator incrimina um terceiro e prova suas afirmações; ou seja, as declarações do acusado devem estar em conformidade com as provas documentais existentes nos autos, para que se possa extrair do conjunto probatório a necessária convicção para criar uma condenação ou redução da pena. Já a avaliação da prova é um ato personalíssimo do magistrado, o qual vai examinar os elementos apresentados pelas partes, chegando a uma livre conclusão sobre os fatos da Denúncia. . A delação pode mudar essa norma? O Juiz, ou o Colegiado, pode fazer de conta que não aconteceu nada ou que a lei pode ser desprezada ante a forte e robusta colaboração do Réu nas provas que trouxe ao processo, apesar de sua efetiva participação nos atos ilícitos? Essa será a principal questão em debate nesta semana. Ao público leigo- mas, não “mosca morta”, não parecerá que a “Delação premiada” é o mapa da mina para criminosos?

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 Auremácio Carvalho é Advogado.

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Quem nunca fez dieta após a virada do ano?

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Foto: Assessoria/Divulgação

Que atire a primeira pedra quem nunca fez uma dieta após as festas de final de ano! É clichê mas é ao mesmo tempo muito atual. No final do ano várias promessas são feitas e com certeza cuidar da saúde sempre está na lista. Mas a que custo?

Às vezes esse desespero pela boa forma é tão grande que leva a procura de dietas milagrosas que na maioria das vezes traz mais danos que benefícios. A sensação de que estamos pesados, de que estamos intoxicados e até mesmo com a auto estima abalada favorece as tomadas de decisões impensadas com foco só na balança.

As dietas na maioria são muito restritivas e com isso comprometem o fornecimento de nutrientes, dificultando o metabolismo por falta de matéria prima para as atividades, incluindo a queima de gordura.

Sim, é isso mesmo que você leu: emagrecer depende de comer com qualidade e não somente diminuir quantidade. Restrição calórica é diferente de déficit calórico. Quantas dietas com baixa calorias você já fez? e porque está aqui lendo este artigo? Se dietas funcionassem provavelmente vc já fez algumas não estaria em busca de nenhuma mais.

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Existe uma taxa de calorias necessárias para o desenvolvimento das atividades basais e isto merece ser respeitado para uma perda progressiva de gordura corporal. As dietas milagrosas prometem perda de peso, quando na verdade só se consegue na maioria, apenas uma desidratação temporária.

Sabia que os primeiros quilos perdidos correspondem à água? A queima de gordura é mais demorada porque o corpo se adapta para não perder gordura. Perder peso exige constância! Constância em montar um prato saudável, com mais alimentos in natura (da feira), constância em se mexer diariamente, constância em preservar as horas de sono, constância em aliviar estresse de forma correta e não somente cortar calorias.

O processo do emagrecimento duradouro começa com mudanças de comportamento. A obesidade para ser tratada exige muito mais de terapia comportamental do que redução de comida pura e simples. A forma como você lida com a comida faz toda diferença na perda de peso e na manutenção de um estilo de vida saudável.

As dietas milagrosas têm prazo para começar e terminar e normalmente terminam quando a sua saúde já piorou um tanto com essas restrições. Se posso te ajudar? Comece a sua lista de promessas para o próximo ano, com a busca por um nutricionista que não só calcule dieta mas que te ensine estratégias para comer melhor a cada dia para que no final do próximo ano, você nem se preocupe com este assunto e apenas recomece a vida com a mesma tranquilidade que terminou os 365 dias.

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A melhor dieta é aquela que você consegue executar. Tudo é difícil! Portanto não é da blogueira, não é da capa da revista, não é a da vizinha.

Existem particularidades que devem ser levadas em conta na hora de começar um processo de perda de peso.

Eu prefiro chamar isto de mudança de estilo de vida em busca de qualidade de vida. Ao contrário das dietas, esta mudança não tem prazo para terminar. Busque ajuda e comece este ano uma nova vida mais coerente e leve!

Ira Soraya C. Arruda é nutricionista e integra a equipe multidisciplinar do IGPA

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