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A indústria do luxo criada para realizar os desejos dos super-ricos da Índia

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Enquanto o número de milionários cresce na Índia, negócios se desenvolvem para atender às demandas dos milionários do país.

A Índia tem cada vez mais milionários – hoje há 200 mil indianos que “valem” US$ 1 milhão ou mais. Não é surpresa, dada a enorme população e o avanço econômico do país nos últimos 20 anos.

Com esse contingente de milionários, a Índia abriga a 12ª maior população de indivíduos com ativos estimados em mais de US$ 1 milhão. Embora seja um número pequeno em relação ao total da população, trata-se do quarto país no mundo com mais bilionários (84, com patrimônio somado de US$ 248 bilhões, segundo a Forbes).

O avanço dos ricos impulsionou uma indústria que está de olho nessa clientela. São negócios que oferecem serviços de ponta, desenhados para atender aos padrões dos super-ricos, suas preferências e estilos de vida.

De serviços de namoro a jatinhos privados, passando por gerenciamento pessoal a obras de arte, nenhuma demanda parece ser exagerada, não importa quão excêntrica possa ser.

Gerência de estilo de vida

Como milionários em qualquer lugar do mundo, os ricaços da Índia “querem acesso às melhores coisas da vida, mas não possuem tempo nem conexões para adquiri-las”, afirma Tanu Jain, chefe de marketing na Quintessentially Lifestyle, empresa que oferece serviços personalizados de concierge (assistência pessoal).

Seja o festival belga de música eletrônica Tomorrowland, a Fórmula 1 em Mônaco ou o tapete vermelho no festival de Cannes, a firma consegue entradas VIP para os melhores e mais exclusivos eventos no mundo, afirma Jain.

“Temos uma rede de contatos que nos permite fornecer os itens mais difíceis em qualquer lugar do mundo”, diz o gerente, que afirma já ter garantido a clientes “uma raquete autografada por Roger Federer” e “uma edição limitada de uma caneta de John Lennon, como surpresa para a pessoa amada”.

“Os super-ricos da Índia querem coisas que deixem lembranças para a vida”, diz Jain, cuja empresa já organizou “um encontro romântico em um iceberg para um casal” e “uma surpresa de aniversário em Paris com 500 rosas”.

Ao atender a uma clientela exclusiva, num mundo onde a informação corre rápido, nada pode ser deixado à própria sorte. Cada cliente tem seu “gerente de estilo de vida”, que “estuda minuciosamente o comportamento e as preferências de cada membro, e recomenda uma solução personalizada para cada demanda”, afirma Jain.

O céu é o limite

Os milionários da Índia têm pressa – e pouca paciência para o transporte de massa. “A nova geração de super-ricos da Índia quer ganhar tempo”, afirma Atiesh Mishra, vice-presidente da Ligare Aviation Limited, uma empresa de serviços aéreos privados. “Eles não querem os contratempos de voar em uma companhia aérea tradicional.”

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Isso deu um impulso ao mercado de aviação que mais cresce no mundo quando o indicador é frequência de voos, segundo um relatório da KPMG. Um aumento no número de jatinhos privados e serviços de voo charter contribuiu para essa tendência. Recentemente, muitas start-ups surgiram no setor. Empresas como BookMyCharters, JetSetG e JetSmart permitem que o usuário reserve voos em jatos particulares pela internet.

“Todo o processo de reservas é customizado para a demanda de cada cliente, da marcação, ao check-in e aos serviços de bordo”, diz Mishra, cuja companhia também oferece opções como voos de longa distância e trajetos de helicóptero até locações remotas.

Os pedidos de clientes, diz ele, podem ir de incomuns (como festas de aniversário no ar) a bizarros (como transportar frondosas mangueiras até o Oriente Médio). Algumas das demandas mais excêntricas incluíram um “narguilé com sabores específicos a bordo” e um pedido ao piloto “que desse voltas sobre o Taj Mahal para uma vista aérea aproximada dessa maravilha arquitetônica”. Ambos pedidos foram negados por infrigirem normas da aviação, lembra Mishra.

Na medida para um rei

Quando o assunto é servir os super-ricos, o lema “o cliente é soberano” dá o tom. Algo que é quase literal para Lakshyaraj Singh Mewar, diretor-executivo do Historic Resort Hotels (HRH Group), a única rede privada da Índia de resorts e hotéis-palácio.

A rede é dona de várias propriedades tombadas pelo patrimônio, palácios e mansões suntuosas que incluem o Jagmandir Island Palace Hotel, no meio do lago Pichola, em Udaipur, local do casamento de US$ 18 milhões do magnata anglo-indiano Sanjay Hinduja.

Palácio em Udaipur pertence a rede de hoteis e foi cenário de casamento que custou US$ 18 milhões  (Foto: Anuradha Sarup/ BBC)

Palácio em Udaipur pertence a rede de hoteis e foi cenário de casamento que custou US$ 18 milhões (Foto: Anuradha Sarup/ BBC)

Tais imóveis, afirma Mewar, abrigam “eventos para celebridades, casamentos luxuosos e shows corporativos” para uma “clientela de alto nível não apenas da Índia, mas da Europa, Reino Unido e Estados Unidos”.

Às vezes há pedidos bem incomuns. Mawar lembra que uma vez um jovem reservou todo o palácio de Jagmandir por uma noite para pedir a namorada em casamento. “Os dois foram levados em um barco tomado por flores, e curtiram o romance sob o céu estrelado”, diz o diretor. “Apenas proporcionamos essa noite de sonhos para ele. Esse é nosso tipo de hospitalidade, não há nada de anormal nisso.”

Em busca de parceiros

Muitos executivos também têm pouco tempo para buscar parceiros por meio de canais sociais tradicionais em suas comunidades. Em um país diverso como a Índia, “comunidade” é um termo guarda-chuva que se refere a uma população de pessoas da mesma religião, casta e cultura.

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Agências de encontros como EliteMatrimony e Ultra Rich Match foram rápidas em identificar uma oportunidade de mercado na busca de almas gêmeas para os solteiros e solteiras mais “cobiçados” do país. Por taxas que vão de US$ 1 mil a US$ 4,5 mil, eles procuram discretamente candidates com as características ideais para seus valiosos clientes.

As exigências dos clientes podem ser variadas e complicadas. “Alguns aceitam parceiros de fora de sua comunidade, mas outros insistem em perfis dentro da própria comunidade”, afirma Murugavel Janakiraman, diretor da EliteMatrimony.

Lakshyaraj Singh Mewar, do grupo Historic Resort Hotels, diz que não há

Lakshyaraj Singh Mewar, do grupo Historic Resort Hotels, diz que não há “nada de estranho” em pedidos extravagantes (Foto: HRH Group/ BBC)

Outra agência, a Ultra Rich Match, tem uma peneira rigorosa para encontrar o melhor parceiro. “Não prometemos paixão imediata, mas tornamos a jornada de encontrar o amor da vida muito mais fácil”, afirma o diretor Saurabh Goswami.

A atração da arte

Esse crescimento dos super-ricos também abasteceu o mercado de arte da Índia. O país tem uma trajetória significativa nas artes, transmitida por sucessivas dinastias como Rajput, Mughal e Mysore.

Mas foi apenas recentemente que a arte indiana começou a angariar mais interesse comercial, trazendo reconhecimento global aos artistas do país. Um estudo de 2016 sobre super-ricos do país, elaborado pela empresa de gerenciamento de patrimônio Kotak, apontou que 68% dos entrevistados havia adquirido obras de arte por impulso.

“As pessoas acumulam riqueza e poder, e é natural que ampliem seus gastos para o mundo da arte”, diz Dinesh Vazirani, cofundador da Saffronart, uma casa de leilões. “Comprar arte é visto como um reflexo do status social; gostos refinados refletem mentes refinadas.”

Em um leilão recente em Nova Déli, a Saffronart vendeu US$ 10,3 milhões em arte moderna, incluindo uma pintura do artista indiano contemporâneio Akbar Padamsee que alcançou quase US$ 3 milhões, mais do que o dobro do preço inicial, afirma Vazirani.

Um leilão da Christie em 2015 negociou quase US$ 15 milhões em obras, um recorde para qualquer leilão na Índia. São números que legitimam o mercado doméstico de arte, hoje estimado em US$ 225 milhões e impulsionado pela nova safra de milionários do país.

A multiplicação dessa classe e de seu apetite pelo luxo deu a partida em uma corrida entre provedores de serviços sedentos por entrar nesse mercado. A Índia está pulsando com energia do empreendedorismo, e boa parte dessa energia corre em negócios cujo objetivo é saber onde os super-ricos querem gastar seu dinheiro.

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Kiev e aliados rejeitam resultados de referendos na Ucrânia

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Ucrânia, Estados Unidos (EUA) e União Europeia (UE) denunciaram hoje (28) os resultados “falsos” e “ilegais” dos referendos realizados nos últimos dias pelas forças pró-russas nas regiões de Kherson, Zaporizhia, Lugansk e Donetsk. Ainda que amplamente desacreditados pela comunidade internacional, os votos abrem caminho à anexação de mais território ucraniano por parte da Rússia e poderão representar uma escalada no conflito entre Kiev e Moscou.

Os referendos realizados nas quatro regiões devem antecipar a integração desses territórios à Federação Russa. A comunidade internacional não reconhece a legitimidade dos plebiscitos, já que foram agendados com poucos dias de antecedência, na sequência da recuperação de várias localidades por parte do Exército ucraniano desde o início de setembro.

Além disso, há também acusações de vigilância apertada e coerção por parte de soldados russos, fortemente armados nos locais onde foi possível recolher votos. Os críticos lembram o grande êxodo de população nessas regiões, que têm sido o palco central dos combates e da invasão russa ao longo dos últimos meses.

Nos resultados apresentados pelas administrações locais pró-russas, 98,2% da população da autoproclamada República de Lugansk votaram a favor da integração do território à Rússia. Em Donetsk, foram 99,23% os que apoiam a anexação e em Zaporizhia, 93,1 por cento manifestaram apoio aos pró-russos. Em Kherson, de acordo com as administrações pró-russas, a votação foi de 87,05 por cento a favor da anexação.

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Em comunicado divulgado hoje, o Ministério ucraniano dos Negócios Estrangeiros (MNE) denuncia os referendos como “mais um crime” cometido pelos russos, que terá credibilidade e reconhecimento nulos.

“Forçar a população nesses territórios a preencher alguns papéis sob o cano de uma arma é mais um crime russo no contexto da agressão contra a Ucrânia”, diz o MNE ucraniano, considerando que os referendos “violam gravemente a Constituição e as leis da Ucrânia, bem como as normas do direito internacional”.

O voto “não tem nada a ver com a expressão da vontade” do povo e não terá implicações “no sistema administrativo-territorial“ da Ucrânia ou nas “fronteiras internacionalmente reconhecidas”. Os referendos são considerados “nulos e sem valor”.

“As regiões de Lugansk, Donetsk, Zaporizhia e Kherson, assim como a Crimeia ucraniana, continuam a ser territórios soberanos. A Ucrânia tem todo o direito a restaurar sua integridade territorial por meios militares e diplomáticos, e continuará a libertar os territórios temporariamente ocupados”, diz ainda o Ministério ucraniano dos Negócios Estrangeiros.

Kiev conclui o comunicado afirmando que não irá ceder a “nenhum ultimato” russo e pede “à União Europeia, à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e ao G7 que aumentem imediata e significativamente a pressão sobre a Rússia”, com mais sanções e maior ajuda militar à Ucrânia.

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Resultados 

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, denunciou os referendos “ilegais” de anexação, com resultados “manipulados”.

“Esta é mais uma violação da soberania e integridade territorial da Ucrânia, no contexto de violações sistemáticas dos direitos humanos. Saudamos a coragem dos ucranianos que continuam a opor-se e a resistir à invasão russa”, afirmou.

Também o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, disse que os resultados dos referendos são “fictícios” e que a União Europeia não os reconhece. Jens Stoltenberg, secretário-geral da Otan, denunciou os “simulacros de referendos” que representam “nova escalada da guerra de Putin”.

Os Estados Unidos falam em “referendos falsos”. A embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, confirmou que vai apresentar resolução no Conselho de Segurança em que irá apelar aos seus membros – a Rússia incluída – para que não reconheçam a integração desses territórios à Federação Russa.

Fonte: EBC Internacional

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