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BC discute segurança e transação offline do real digital

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O Banco Central (BC) promoveu mais uma rodada de debates sobre a criação de uma moeda digital oficialmente brasileira, que, a exemplo da moeda em papel, é certificada pela autoridade monetária do país: o real digital.

No encontro desta quinta-feira (9), organizado para debater diretrizes gerais, benefícios e tecnologias a serem adotados para implantação da versão digital da moeda brasileira, falou-se sobre a necessidade de viabilizar transações offline com segurança e sobre a importância de incluir no sistema bancário a população sem acesso a ele e com acesso limitado a recursos como smartphones, energia elétrica e internet.

O seminário virtual Operações Offline é o terceiro da série O Real Digital. O objetivo do Banco Central é  estabelecer as bases para o eventual desenvolvimento de uma CBDC (Central Bank Digital Currency) que venha a acompanhar o dinamismo da evolução tecnológica da economia brasileira e a aumentar a eficiência do sistema de pagamentos de varejo.

Dessa forma, o BC pretende contribuir para o surgimento de novos modelos de negócio e de outras inovações baseadas nos avanços tecnológicos, favorecendo a participação do país em outros cenários econômicos e aumentando sua eficiência nas transações transfronteiriças.

Moedas digitais X criptomoedas

Moedas digitais são muito diferentes de criptomoedas, conforme já havia explicado o BC em webinários anteriores. “Os criptoativos, como o bitcoin, não detêm as características de uma moeda, mas sim de um ativo. A opinião do Banco Central sobre criptoativos continua a mesma: estes são ativos arriscados, não regulados pelo Banco Central, e devem ser tratados com cautela pelo público”, disse anteriormente o coordenador dos trabalhos sobre a moeda digital do Banco Central, Fabio Araújo.

Já a CBDC, a moeda digital do Banco Central, é uma nova forma de representação da moeda já emitida pela autoridade monetária nacional. Ou seja, faz parte da política monetária do país de emissão e conta com a garantia dada por essa política.

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CBDC inclusiva

No debate de hoje, a diretora de Desenvolvimento de Negócios em Moedas digitais na G+D Currency Technology, Tanja Hessdörfer, destacou que, para implementar o real digital, o BC “não pode contar com os usuários tendo celulares de última geração, conhecimento tecnológico, equipamento modernos ou conexão de internet de alta velocidade”.

Por isso, acrescentou Tanja, para ter um sistema de CBDC inclusivo, é preciso oferecer carteiras para a população não bancarizada, de forma a funcionar sem conta bancária, de maneira simples, intuitiva e com interface orientada ao usuário. “É importante que esses equipamentos simples tenham funcionalidade offline”, disse ela.

Especialista do Setor Financeiro do Grupo de Desenvolvimento de Sistemas de Pagamentos do Banco Mundial, Harish Natarajan foi  além e considerou  “obrigatório” que a moeda seja “usável” em vários contextos e situações, inclusive quando não há eletricidade, nem conectividade telefônica, como no caso de catástrofes.

Nesse sentido, é fundamental as autoridades estarem sempre atualizadas com as novidades tecnológicas que garantam transações no modo offline, de forma a dar o máximo de segurança aos procedimentos. “O momento [atual] é de investigar as tecnologias que existem, o que é possível e quais são as limitações. Este é o momento certo de os brancos centrais investigarem isso”, enfatizou Tanja Hessdörfer.

Para Natarajan, do ponto de vista da inclusão, há que se considerar os custos decorrentes de provedores; de serviços e da gestão dos pontos de acesso, na busca por sistemas sofisticados e de capacidade de manutenção e de distribuição para fazer desse processo algo “factível para pessoas que não tenham acesso a smartphone”. “A forma offline talvez requeira um dispositivo adicional. É necessário ter, além dela, a forma de pagamento tradicional online”, sugeriu o especialista do Banco Mundial.

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Sócio da Oliver Wyman, empresa especializada em gestão, Michael Wagner disse que a rastreabilidade é algo que beneficia a segurança das transações financeiras. “A segurança online é maior do que a offline. Isso é fato, e torna necessário termos atenção com o nível de acesso que criminosos podem ter”, disse Wagner, ao defender que “capacidade de análise e de perícia são fundamentais para garantir a segurança em um nível aceitável”.

Segundo o chefe de gabinete da Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Ricardo Mourão, um dos objetivos da autoridade monetária brasileira com a criação da moeda digital é reduzir o uso de papel, “porque é custoso, paga impostos e paga logística, o que implica mais custos”.

Tanja Hessdörfer destacou que a chave para aceitação da versão digital do real é promover a liberdade de escolha para as pessoas. “Creio que, enquanto as pessoas puderem escolher se vão pagar com um ou outro, haverá aceitação”, disse.

“No entanto, se forçarem as pessoas a mudar do dinheiro em papel para o CBDC, isso provavelmente não irá para a direção certa e deixará as pessoas céticas com relação às tecnologias. Nesse sentido, eu promoveria a liberdade de escolha”, completou.

Edição: Nádia Franco

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Turismo nacional deve encerrar o ano com crescimento de 16%

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O turismo brasileiro deve terminar o ano com crescimento de 16% e faturamento de R$ 130 bilhões, 22% inferior ao registrado no período pré-pandemia, de acordo com dados do levantamento do Conselho de Turismo (CT) da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Os segmentos que registraram os resultados mais expressivos, a partir do quarto mês do ano, foram os de transporte aéreo, com alta anual de 83,9% e serviços de alojamento e alimentação, que teve elevação de 61,9%. “No entanto, a base de comparação explica o resultado, pois, esses foram os setores que mais sofreram o impacto da crise em 2020, estando, também, abaixo do patamar de abril de 2019”, diz a FecomercioSP.

Segundo os dados, a demanda dos passageiros aéreos atingiu nível superior a 6 milhões em julho, mantendo-se no mesmo nível nos meses seguintes. Até junho esses números estavam menores do que 5 milhões de pessoas. A perspectiva da Fecomercio é a de que o transporte aéreo encerre o ano com faturamento de R$ 37,8 bilhões, o que representa um crescimento anual de 30,5%. “Porém, ainda 36% abaixo do nível de 2019. Já o resultado projetado do último trimestre deve ser 12% menor em relação ao mesmo período do ano pré-pandemia”, estima a entidade.

O transporte rodoviário (intermunicipal, interestadual e internacional), que apresentou quedas relativamente modestas no início do ano, deve encerrar 2021 com alta de 9% e faturamento de R$ 17,7 bilhões (5,1% abaixo do patamar de 2019). Para o transporte aquaviário, a projeção de alta é 8,4% (R$ 467 milhões em valores absolutos).

Para o grupo de locação de veículos, agência e operadoras de turismo, a expectativa é que haja aumento no faturamento de 4,2%, chegando a R$ 29 bilhões. Na comparação com 2019, o nível ainda é 8,5% abaixo do obtido. Embora negativo, é um dos resultados relativos mais favoráveis entre os setores analisados pelo levantamento. O último trimestre deve registrar um ritmo de crescimento de 7%.

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Os dados indicam ainda que o grupo de alimentação e alojamento deve registrar alta de 15,9%, com faturamento de R$ 25 bilhões, um quadro ainda negativo quando comparado ao ano de 2019, quando a alta foi de 26%.

Para as atividades culturais, recreativas e esportivas, a projeção para a segunda metade do ano é aumento de 11,7%, encerrando 2021 com alta de 1,9%. No primeiro semestre de 2021 houve queda de 7,4% nesse grupo. “Como este grupo depende, essencialmente, do número de pessoas completamente imunizadas, com o ritmo de vacinação bem estabelecido, a tendência é que haja cada vez mais aumento de público e atividades no próximo ano, dando condições para uma recuperação mais robusta”, diz a FecomercioSP.

Impacto da inflação no turismo

Apesar de os números apontarem para um bom desempenho no início de 2022, o processo inflacionário, que impacta tantos as famílias como as empresas, pode limitar um crescimento mais expressivo do setor no próximo ano, embora o dólar alto ainda mantenha a atratividade do turismo doméstico, que passou a ser “descoberto” por muitos brasileiros.

Segundo a presidente do CT da FecomercioSP, Mariana Aldrigui, a pressão da inflação no orçamento das famílias é, e continuará sendo, o fator mais importante a ser observado no próximo ano, principalmente a partir de março, quando a demanda começa a diminuir. “Infelizmente, como em outros momentos relevantes para o turismo, fez-se muito pouco em termos de investimentos, oferta de crédito e estímulo à inovação, o que deixa o Brasil ainda mais dependente de seu mercado interno”, analisou.

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O levantamento, com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que o setor tem enfrentado inflação de 16,75% nos últimos 12 meses. Esta variação é superior à média do Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA), de 10,67%. Isto é, há um avanço real de preços do turismo de 5,49%. As passagens aéreas são as principais responsáveis pela alta. Em 12 meses, o preço aumentou 50,11%, resultado da demanda reprimida pela pandemia e do aumento de custos, sobretudo do querosene (QAV), que subiu 90%, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Segundo as análises da FecomercioSP, a alta do combustível e da energia elétrica deve impactar outras atividades importantes do setor, como hotéis e translados, que repassarão os custos aos consumidores e aos pacotes turísticos, pressionando os valores nos próximos meses. Embora algumas atividades ainda não repassem a inflação para o preço final (caso da hospedagem, que teve aumento médio de preços de 4,44%), como o processo inflacionário atual é estrutural, o ajuste é questão de tempo e deve continuar, pelo menos, até metade do próximo ano.

“O resultado não surpreende, uma vez que já se previa um aumento considerável da demanda, que esteve reprimida ao longo dos últimos 18 meses. Os aumentos generalizados nos insumos de todos os setores também colaboram com a elevação dos preços, e é provável que a curva de aumento siga ascendente nos próximos meses (pelo menos até o carnaval), podendo ser revertida somente em caso de queda acentuada na demanda”, disse Aldrigui.

Edição: Valéria Aguiar

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