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Indústria do turismo teme impacto de retórica anti-imigração de Trump nos EUA

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Pesquisa revela queda de 10% em buscas por voos para o país nos primeiros 3 meses do ano; para analistas, medidas como decreto proibindo entrada de cidadãos de 6 países muçulmanos criam ‘percepção de que talvez você não seja bem-vindo’.

Em quanto a batalha sobre a política migratória do presidente Donald Trump continua a ser travada nos tribunais, a indústria de turismo dos Estados Unidos se diz preocupada com o impacto das medidas e tenta calcular o tamanho do possível estrago.

O novo decreto presidencial, que foi suspenso por um juiz federal do Havaí na noite de quarta-feira, poucas horas antes de entrar em vigor, proíbe por 90 dias a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de seis países de maioria muçulmana: Iêmen, Irã, Líbia, Síria, Somália e Sudão.

Apesar de os viajantes afetados diretamente representarem uma pequena fatia do total de estrangeiros que chegam ao país, o impacto do veto e da retórica anti-imigração, somados a diversos casos recentes de cidadãos de outros países barrados e interrogados em aeroportos, já começa a ser sentido de forma ampla, com queda de interesse no país como destino.

O aplicativo Hopper, que prevê preços de passagens aéreas, analisou buscas de voos internacionais para os Estados Unidos entre o fim de dezembro e 6 de março, quando o decreto foi anunciado, e detectou queda em 102 dos 122 países pesquisados.

“Em média, as buscas estão 10% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado” disse à BBC Brasil o cientista de dados Patrick Surry, especialista em viagens do Hopper.

“A maioria das pessoas pesquisando voos para os Estados Unidos não são afetadas diretamente pelas restrições, mas o fato de haver uma queda tão grande no interesse pelo país parece indicar uma percepção de que talvez você não seja bem-vindo”, observa Surry.

“Resta saber se será um efeito de curto prazo, que logo vai se dissipar, ou uma mudança duradoura”, salienta.

Incerteza

O decreto suspenso nesta quarta-feira é a segunda tentativa do governo americano de barrar a entrada de cidadãos desses países. Uma ordem anterior, de 27 de janeiro, vetava também viajantes do Iraque, e foi suspensa por um tribunal no início de fevereiro.

A nova medida, além de retirar o Iraque da lista, determina que portadores de visto ou green card (documento que permite residência nos Estados Unidos) não serão afetados. Também suspende a admissão de refugiados de qualquer país.

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Críticos dizem que o decreto fere a Constituição, causa dano irreparável aos afetados e é, na prática, um veto a muçulmanos. A Casa Branca rejeita as críticas e afirma que a medida é necessária para garantir a segurança do país.

Decreto suspenso nesta quarta é a segunda tentativa do governo americano de barrar a entrada de cidadãos no país (Foto: Reuters)

Decreto suspenso nesta quarta é a segunda tentativa do governo americano de barrar a entrada de cidadãos no país (Foto: Reuters)

Durante sua campanha, Trump chegou a anunciar que pretendia proibir muçulmanos de entrar nos Estados Unidos, mas depois voltou atrás. O presidente também prometeu construir um muro na fronteira para impedir a entrada de mexicanos.

Até agora, a Casa Branca não se pronunciou sobre o possível impacto da política migratória sobre o turismo. Mas, segundo profissionais do setor, a incerteza gerada por essas medidas pode colocar em risco uma indústria que somente em fevereiro deste ano conseguiu se recuperar completamente da chamada “década perdida”, iniciada com os atentados de 11 de setembro de 2001 e as exigências mais rigorosas para entrada no país que se seguiram.

“O novo decreto é boa notícia se você está pensando em vir do Iraque para os Estados Unidos. A questão que permanece é se faz o suficiente para apaziguar o possível viajante do Canadá, da Europa e do resto do mundo que talvez tenha sido dissuadido pelo decreto inicial”, disse em nota Roger Dow, presidente da US Travel Association, que representa a indústria de viagens no país.

Nova York

Em Nova York, destino americano preferido entre os turistas internacionais, a previsão da NYC & Company, agência responsável pela promoção do turismo na cidade, é de receber neste ano 300 mil visitantes estrangeiros a menos do que em 2016.

Será a primeira vez em sete anos que número de turistas estrangeiros na cidade deve cair. Antes do decreto, a expectativa era de aumento de 400 mil.

“Não é tanto sobre os países incluídos no decreto, mas sobre a percepção dos Estados Unidos como um lugar acolhedor”, disse à BBC Brasil o presidente e CEO da NYC & Company, Fred Dixon.

“Quando você impõe barreiras, obstáculos, vetos, isso vai afetar a maneira como as pessoas percebem um lugar. É o impacto negativo dessa mudança de percepção que pode deteriorar a visitação ao país. Vai muito além dos seis países do decreto.”

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Segundo Dixon, como cada turista internacional gasta em média US$ 2 mil na cidade, a previsão é de perda de US$ 600 milhões em gastos diretos.

Em 2016, Nova York recebeu 60,7 milhões de visitantes, sendo 12,7 milhões estrangeiros, entre eles 817 mil brasileiros.

Dixon ressalta que o Brasil se manteve como quarto país que mais envia visitantes à cidade, apesar de queda em relação a 2015, quando 877 mil brasileiros (entre 12,3 milhões de turistas estrangeiros) viajaram a Nova York.

“O Brasil é um mercado maravilhoso para nós”, salienta.

Brasil

A queda no número de visitantes brasileiros foi resultado da crise econômica no Brasil, que reduziu as viagens ao Exterior de maneira geral. Para este ano, segundo a Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV), a previsão é de recuperação.

Segundo a análise do Hopper, as pesquisas no Brasil por voos para os Estados Unidos estão 28% abaixo do esperado no período. Mas ainda é cedo para saber se as medidas americanas terão impacto sobre o turista brasileiro.

“(O veto) Não tem mexido com o turista. Acho que o turismo para os Estados Unidos vai até melhorar, porque antes estávamos com uma recessão interna”, disse à BBC Brasil o presidente da ABAV, Edmar Bull.

De acordo com Bull, a crise levou o viajante brasileiro a mudar o perfil, comprando menos, ficando em hotéis mais baratos e durante menos dias. “Mas ele não deixa de viajar”, ressalta.

Os Estados Unidos são o segundo principal destino dos brasileiros (atrás da Argentina), com fatia de 25% do total de viagens ao exterior.

Em 2015, último ano com dados oficiais disponíveis, 2,5 milhões de brasileiros viajaram ao país. Além de Nova York, os outros destinos preferidos são Miami, Orlando e a Califórnia.

O responsável pela promoção do turismo em Nova York quer mostrar aos turistas brasileiros e de outros países que a experiência na cidade não vai sofrer por causa do decreto.

Uma campanha recém-lançada busca “tranquilizar o viajante internacional que possa se sentir desencorajado”.

“Nós, como destino, não mudamos. Mas agora temos de lidar com essa imagem do país como um todo, que é muito maior do que nós. Queremos lembrar aos visitantes que, em Nova York, pessoas do mundo todo são bem-vindas”, diz Dixon.

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CPI da Renúncia e Sonegação Fiscal ouve presidente da CooperPoconé

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Foto: Ronaldo Mazza

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Renúncia e Sonegação Fiscal da Assembleia Legislativa ouviu hoje (8) o presidente da Cooperativa de Desenvolvimento Mineral de Poconé (CooperPoconé), geólogo André Luiz da Silva Molina. As principais questões debatidas foram sobre fiscalização dos órgãos de controle, evasão fiscal e possibilidade de investimento para criar uma fundação de pesquisa para aperfeiçoamento do setor, além das questões ambientais como os danos causados pelo sistema de extração com uso de mercúrio, andamento dos programas de recuperação das áreas degradas e riscos para a população com garimpos localizados próximo ao perímetro urbano do município de Poconé.

Indagado pelo presidente da CPI, deputado Wilson Santos (PSDB), sobre a estrutura da CooperPoconé, Molina explicou que a cooperativa reúne 20 empreendimentos minerários com capacidade para extrair uma média de 5 milhões de toneladas ao ano o que gera mais de 1 bilhão de reais de produção de ouro. Os números, segundo ele, fazem parte do relatório de produção dos últimos quatro anos da organização coletiva. 

O presidente da CPI questionou sobre a regularidade das fiscalizações feitas pelos órgãos competentes como Agência Nacional de Mineração e Secretaria de Estado de Meio Ambiente.

“Então, eu não vejo como uma coisa distante, mas algo cotidiano”, afirmou Molina. Segundo as averiguações são feitas com bastante regularidade e que apenas durante a pandemia as visitas diminuíram. “A ação de fiscalização da ANM e da Sema são corriqueiras e cada renovação da autorização de exploração é feita uma fiscalização dos órgãos”. Somente este ano, segundo ele, já ocorreram duas visitas, inclusive uma mais recente no ultimo mês para conhecer melhor as práticas do estado, considerando o interesse do governo federal em investir no desenvolvimento do setor.

Sobre as informações de sonegação fiscal fornecidas por outros empresários do ramo durante oitivas da CPI, que afirmam que a cada R$ 1 pago corretamente de imposto, de R$ 7 a R$ 10 são sonegados por falta de fiscalização, Molina discorda dos números e defende a necessidade de que se apresente dados e documentos que comprovem essa estimativa. “Não existe sonegação nenhuma. O que acontece com o ouro é que se ele não é legalizado, não tem valor nenhum. No meu entendimento essas informações precisam ser averiguadas”. Segundo ele, a cooperativa segue todos os trâmites de emissão de nota e recolhimento sobre toda produção para que possa ser comercializado corretamente e legalmente. 

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Sobre as preocupações ambientas e de segurança para a saúde da população, Wilson Santos questionou sobre os programas de recuperação de áreas degradadas, se a cooperativa investe e executa os planejamentos, ao que Molina  respondeu “que todos os garimpos da cooperativa possuem plano e práticas para garantir a efetividade dos projetos com compromisso dos prazos e ações”. “Não existe nenhum investimento licenciado que não tenha esse planejamento e que não seja cumprido”, defendeu.

Wilson questionou também se Molina tem conhecimento sobre a prática de contrabando de ouro, denunciada na CPI, como o caso das 45 toneladas que teriam saído da Serra do Caldeirão, em Pontes e Lacerda, rumo à Bolívia, para serem legalizadas. “Não tenho conhecimento sobre isso nem vejo porque alguém contrabandearia ouro para Bolívia. Não vejo a razão e se alguém fala tem que comprovar o que está falando”, afirmou. “Discordo dessa afirmação, não tenho conhecimento e se tem uma denúncia seria dessas precisa chamar a policia federal e o Gefron  [Grupo Especial de Fronteira da Polícia Militar] para ser investigado o que esta acontecendo”, destacou.

“A preocupação com essas denúncias é sobre os riscos da mineração estar sendo usado para lavar dinheiro sujo, do narcotráfico, da politica suja. Que há a sonegação a gente sabe que há, inclusive com apreensão de avião, em Goiás, com contrabando de minérios extraviados de Mato Grosso, sem declaração de imposto nenhum. O nosso questionamento é para buscar sugestões para diminuir a sonegação da atividade mineral no estado”, justificou o parlamentar.

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A utilização de mercúrio também foi abordada pelo presidente, bem como a produção do “ouro ético” ou “ouro limpo”, que é obtido dentro dos padrões de melhores práticas ambientais e sociais. Molina afirmou que a eliminação de produto químico é um processo difícil, por se tratar da prática mais eficiente e utilizada há séculos. No entanto ele afirmou que o grupo tem preocupação e adquiriu recentemente um equipamento que utiliza cianeto de sódio com o intuito de eliminar completamente o mercúrio do circuito de depuração do ouro. “É uma máquina bastante complexa, mas que já estamos testando e finalizando os ajustes para iniciar as operações” adiantou. 

Questionado sobre a viabilidade da parceria com a Prefeitura Municipal de Poconé para elaboração de um plano diretor de desenvolvimento para o município, Molina afirmou que a cooperativa tem interesse e disponibilidade para contribuir com o projeto bem como com outras ações para o desenvolvimento do município. A iniciativa é um pedido do prefeito do município que visa fazer um melhor planejamento dos recursos provenientes da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cefem) destinada ao município para promover melhorias da região afetada pela exploração. “Tudo que contribua para o desenvolvimento do setor a cooperativa vê com bons olhos”. 

Outro investimento para aprimorar as atividades de mineração do estado levantada pelo presidente da CPI foi criação de uma fundação e pesquisa, seguindo os moldes do agronegócio, para elaboração de estudos e orientações técnicas que contribuam com fortalecimento do setor. Molina destacou que a proposta é muito boa e deve ser discutida considerando o grande potencial do estado em produção de diversos minérios. “Os principais pontos que poderiam avançar com um trabalho desses é quanto a possibilidade de implantação de siderúrgicas para beneficiamento dos minérios ao escoamento da produção”, destacou.

Wilson finalizou a reunião enfatizando que a CPI entende a importância da extração de minérios como fonte econômica do estado e que apoia o desenvolvimento do setor inclusive para ampliação dos recursos financeiros. “A preocupação da comissão é conhecer a realidade  dos garimpos para melhorar as práticas e propor aperfeiçoamento na legislação para garantir  o desenvolvimento sustentável do setor sem prejuízos ao meio ambiente e com retorno para a população”.

A próxima reunião está marcada para a próxima segunda-feira (12) e vai receber o empresário Valdiney Mauro da Silva Molina.

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