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Europa perde rastro de 28 menores por dia após travessia do Mediterrâneo

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De acordo com a ONG Oxfam, semanas depois, a maioria dos jovens reaparece nas principais capitais da Europa, em condições de extrema precariedade; somente na França, há 10 mil imigrantes menores de idade, isolados, sem família ou responsável

Da Redação

 

Aboubakar Ali deixou o Chade, país de 14 milhões de habitantes na África Subsaariana, há sete meses. Sua família havia retornado ao país natal, deixando a Nigéria em fuga das atrocidades do grupo terrorista Boko Haram. Aos 16 anos, Abou não aceitou voltar e decidiu partir.

De acordo com a ONG Oxfam, que presta auxílio a imigrantes em toda a União Europeia, entre 100 crianças ou adolescentes imigrantes que chegam à Europa, 28 desaparecem por dia na Itália, a porta de entrada para 85% dos imigrantes, em meio ao caos da chegada. Semanas depois, a maioria dos jovens reaparece nas principais capitais da Europa, em condições de extrema precariedade.

Abou colocou uma muda de roupas em dezembro em uma mochila e, sem dinheiro, foi para a Europa – sem avisar os pais. A opção lhe custou caro: foi detido por 15 dias e torturado na Líbia, onde passou fome e sede antes de obter um lugar em um bote inflável, no qual atravessou o Mediterrâneo há três meses. Na Itália, perdeu o lugar em um centro de acolhimento e, até a sexta-feira, vivia sob um viaduto do bairro popular Porte de la Chapelle, em Paris. Na rua, alimenta-se quando pode e vive a expectativa de um sonho pouco realista: o de se fixar na Inglaterra.

Abou é um dos cerca de 10 mil jovens imigrantes, menores de idade e isolados, sem família ou responsável, que vagam pela França. Outras dezenas de milhares, a maioria originária de países subsaarianos em guerra, sob a ameaça terrorista ou em situação de pobreza extrema, como Chade, Sudão ou Níger, estão em situação semelhante nas principais cidades da Itália, da Espanha ou da Alemanha. 

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Em geral, estão à espera de uma oportunidade em um centro de acolhimento ou da realização de um desejo distante: o de estudar, trabalhar e integrar-se na Europa. Segundo a Organização Internacional para Imigrações (OIM), em 2016, 25 mil crianças e adolescentes fizeram a travessia do Mediterrâneo – duas vezes mais que em 2015. Pesquisa da Unicef mostra que 75% deles enfrentam humilhações, agressões, assédio ou violência ao longo do caminho. 

Depois de enfrentar o risco da travessia pelo mar – onde 4,5 mil pessoas morreram no ano passado, das quais 700 crianças e adolescentes –, continuam sujeitos às redes de tráfico de seres humanos, à exploração e, mais uma vez, à violência, até mesmo sexual.

Abou conhece os riscos. No Mediterrâneo, só sobreviveu porque o bote de plástico lotado foi resgatado por um barco de uma ONG alemã. “Fomos levados para um centro de imigrantes na Itália. Um dia, saí e acabei me perdendo durante dois dias. Ao voltar, me disseram que não tinha mais lugar, que agora era livre e poderia ir para onde eu quisesse.”

Desde então, vaga pela Europa, sem documentos, sem dinheiro, sem roupas ou alimentação regular. Vive da ação de ONGs e da generosidade de voluntários do lado de fora de um centro de acolhimento no norte de Paris – de onde cerca de 1,5 mil pessoas foram retiradas na sexta-feira para centros de acolhimento no interior da França. 

“Eles me ofereceram um local em um centro de acolhimento, mas eu não quis ir. O problema é que não tenho dinheiro. Sei que não é fácil, mas não quero ficar na França, porque quero ir para a Inglaterra”, diz o jovem. 

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Ali Idriss, sudanês de 16 anos que vivia em Darfur antes de partir para um périplo por Egito, Líbia e Itália antes de chegar à França, há oito meses, é outro que vive nas ruas de Paris depois de atravessar o Mediterrâneo pagando € 100 por um lugar em um bote inflável. “Aqui não tenho ninguém. Vim sozinho, não tenho notícias de minha família, nem de amigos”, conta o jovem, que também sonha em chegar a Londres. 

“Darfur não tem liberdade, é muito difícil, perigoso, as pessoas são assassinadas por nada. Eu preciso ir à escola e trabalhar. Por isso, estou tentando ir para a Inglaterra”, diz Idriss, que já tentou a sorte escondendo-se em caminhões que cruzam o Canal da Mancha.

Sudanês de 16 anos, Mohamed Mussah vive na Europa há dois meses, depois de passar por Chade, Níger, Líbia e Itália, após quatro dias no mar. “Na Líbia, fui preso. Fiquei oito ou nove meses no país, quebraram minha perna me espancando e, até hoje, não fiquei bom. Quem não tem dinheiro para o transporte vai para a prisão. Eles batem nas pessoas sem razão nenhuma e alguns são mortos”, conta. 

Desde sua chegada, ele se tornou um andarilho isolado e ainda não teve coragem de contatar o pai, a mãe e os irmãos, nem para dizer que está vivo. “Aqui não tem um lugar para ficarmos, nada para comer”, afirma Mussah, constrangido por viver na rua, sob um viaduto. “Eu só quero ir para a Inglaterra. É o que todo mundo quer.”

 

 

 

 

 

Fonte: Folha de S. Paulo

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Prefeitura de VG fornece transporte gratuito a pequenos produtores rurais

Somente nestas duas primeiras semanas do ano, já foram transportadas três cargas de mudas de capiaçu para comunidades Sadia 1 e Umuarama, além de outros insumos

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SECOM VG

A Prefeitura de Várzea Grande, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável (SEMMADRS), realizou o transporte gratuito de uma carga de capiaçu (capim) no assentamento Nossa Senhora Aparecida 1 (Sadia 1), o que vai beneficiar 11 famílias que vivem da agricultura. Esta é a segunda entrega de mudas de capim na comunidade rural. A primeira ocorreu na semana passada, beneficiando cinco pequenos produtores.

As remessas de capiaçu foram doadas por um pequeno produtor do assentamento São Miguel (Sadia 3). Os produtores se uniram para pagar uma pessoa para fazer o corte da gramínea. Já o transporte foi feito de forma totalmente gratuita pela SEMMADRS, que dispõe de dois caminhões-caçamba (com capacidade de 15 toneladas cada) para atender às demandas do campo. Se fossem pagar o frete entre as duas comunidades, os agricultores teriam que desembolsar em torno de R$ 1,2 mil.

Os caminhões foram doados pela Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (SEAF) para o Município, no dia 11 de novembro de 2022. Em menos de dois meses, os veículos já haviam transportado 56 toneladas de insumos. Em menos de duas semanas de 2023, foram realizados os transportes de três cargas de capiaçu para as comunidades do Sadia 1 e Umuarama; uma carga de areia para reforma de baia de suínos, no Umuarama; uma carga de terra preta para a implantação de uma horta comunitária no Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) do bairro Santa Maria, além de atender outros setores da SEMMADRS, como o viveiro municipal.

O secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável, Célio dos Santos, comemora a produtividade. “Em Várzea Grande, vivemos um momento muito propício para a agricultura familiar, em que os pequenos produtores estão empenhados em desenvolver suas atividades, nossas equipes, sob determinação do prefeito Kalil Baracat têm elaborado projetos que atendem às demandas e, além disso, contamos com várias parcerias que favorecem produção agrária no nosso município. Estamos muito felizes com os resultados obtidos e vamos continuar trabalhando para melhorar ainda mais”, assevera.

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Aproveitamento do suporte

Dentre os pequenos agricultores da comunidade Sadia 1, alguns já criam gado e outros querem começar a trabalhar com a bovinocultura, a fim de diversificar a produção. Vera Lúcia Pereira Reis é dona de uma propriedade onde, junto com o esposo, cria 24 cabeças de gado, galinhas caipiras e peixes. Ela já conta com 12 hectares de pasto, composto por braquiara e andropogon. Agora, já preparou o solo de mais um hectare para receber as mudas de capiaçu. “Vai ajudar no período de seca porque geralmente o pasto fica mais escasso e temos que gastar com ração, servir casca de mandioca para o gado”, afirma.

Já o agricultor José Domingos vive com a esposa em uma propriedade de 10 hectares, onde cria porcos, galinha caipira e trabalha com olericultura. Agora, pretende começar a criar gado e, por isso, aproveitou a doação e transporte gratuito de capim para iniciar o pasto. “Vou aproveitar a época de chuva para plantar capim. O pasto nosso vai dar uns 5 hectares. Um macinho desse pra mim começar já está bom porque depois dá para tirar mais ramos dele mesmo”, afirma.

A respeito do apoio ofertado pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável (SEMMADRS), ele elogia, destacando que além do transporte de capim, já recebeu calcário e sua esposa participou de cursos. “É ótimo porque eu tenho plantação de mandioca, milho e a terra melhorou muito desde o calcário que nós ganhamos ano passado da Prefeitura. Temos vários apoios com orientações. Minha esposa já fez vários cursos. Tudo o que vem, a gente quer”.

A presidente da Associação de Produtores do Assentamento Nossa Senhora Aparecida 1, Lucineia Ferreira da Silva, destaca a relevância do trabalho da Prefeitura no fomento aos pequenos produtores rurais. “É muito importante para os agricultores da nossa comunidade estar ganhando essas mudas de capiaçu porque aqui para nós é tudo mais difícil, mas, com a equipe dando todo esse suporte fica mais fácil. Nessa época da chuva, precisamos de mudas e os agricultores estão muito empenhados em criar gado para produzir leite, fazer doces. Com a ajuda da Secretaria aqui conosco, dando esse apoio, o desenvolvimento da nossa comunidade é melhor. Estamos muito animados com essa parceria!”, comenta.

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Compromisso com resultados

Além de fazer o transporte das mudas de capim de forma gratuita, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável (SEMMADRS) também fornece apoio no preparo do solo, por meio de tratores e grades aradoras com operador de máquinas e doação de calcário, além da assistência técnica fornecida por agrônomos e técnicos agrícolas.

“Vamos dar toda a orientação no plantio dessas mudas e acompanhar também o seu desenvolvimento futuramente, ver as falhas, ver as condições do solo. A comunidade Sadia 1 conta com um trator de 50 cavalos da Prefeitura para suporte no gradeamento do solo. Nosso objetivo é fazer com que de fato esses pequenos produtores tenham um resultado satisfatório com esse trabalho”, diz o coordenador de Desenvolvimento Rural Sustentável do Município, Jhonattan Ferreira.

Capiaçu

De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o BRS Capiaçu é um clone de capim-elefante (Pennisetum purpureum Schum) de alto rendimento para suplementação volumosa na forma de silagem ou picado verde. Devido ao seu elevado potencial de produção (50t/ha/ano), também pode ser utilizada para a produção de biomassa energética. Tem porte alto (até 4,20 metros de altura), se destacando pela produtividade e pelo valor nutritivo da forragem quando comparada com outras cultivares de capim-elefante. A BRS Capiaçu apresenta maior produção de matéria seca a um menor custo em relação ao milho e a cana-de-açúcar. A silagem deste capim constitui uma alternativa mais barata para suplementação do pasto no período da seca.

Fonte: SECOM VG

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