Explosões em hotéis e igrejas matam mais de 200 no Sri Lanka; 13 suspeitos são presos

Ao menos 27 estrangeiros estão entre as centenas de mortos nos atentados coordenados em várias regiões do país, que deixaram também mais de 400 feridos

 

Da Redação

 

Pelo menos 207 pessoas morreram em uma série de atentados com explosivos contra três hotéis de luxoum complexo de casas três igrejas no Sri Lanka, onde fiéis celebravam a missa de Páscoa neste domingo, 21. Entre os mortos, pelo menos 27 são estrangeiros  – EUA, Reino Unido e China confirmam mortes de seus cidadãos. Há aproximadamente 450 feridos.

O governo decretou estado de emergência em todo o país e impôs toque de recolher por tempo indeterminado, temendo novos ataques. A acesso às redes sociais também foi interrompido. A polícia afirmou que 13 suspeitos ligados às explosões foram presos. Segundo o ministro da Defesa, Ruwan Wijewardena, acredita-se que a maior parte das explosões foi relizada por homens-bomba.

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, usou sua conta no Twitter para comentar os ataques no Sri Lanka. “Em nome dos brasileiros, condeno os ataques que deixaram centenas de vítimas no Sri Lanka, inclusive em igrejas, onde se celebrava a Ressurreição de Cristo”, escreveu.

As primeiras explosões aconteceram de forma coordenada em três hotéis de luxo de Colombo, capital de Sri Lanka, em uma igreja também da capital e outra em Katana, zona oeste do país. A terceira igreja atingida fica em Batticaloa, na zona leste da ilha, segundo Ruwan Gunasekara, porta-voz da polícia do Sri Lanka. 

Horas mais tarde, uma outra explosão foi registrada em um pequeno hotel próximo a um zoológico de Dehiwala, na capital, e matou pelo menos duas pessoas. A última detonação aconteceu em um complexo de casas na região de Dermatagoda, também em Colombo. Nesta, pelo menos três policiais foram mortos, segundo o secretário de Defesa, Hemasiri Fernando. De acordo com a polícia, a explosão foi causada por um homem-bomba.

O ministro das Reformas Econômicas e Distribuição Pública, Harsha de Silva, escreveu no Twitter que as duas explosões parecem que foram “causadas por pessoas que fogem da Justiça”. O ministro de Defesa, Ruwan Wijewardene, afirmou  em entrevista coletiva que serão tomadas “medidas contra qualquer grupo extremista que estiver operando” no Sri Lanka. Por enquanto, nenhum grupo reivindicou a autoria dos ataques.

O primeiro-ministro do país, Ranil Wickremesinghe, liderou uma reunião de emergência com altos comandantes das forças de segurança e outros membros do governo. Harsha de Silva, que estava no encontro, deu detalhes no Twitter. Ele pediu “calma” e “atuação com responsabilidade”, ao mesmo tempo em que se mostrou comovido pelo que tinha visto após visitar vários locais do atentado. 

O arcebispo de Colombo, Malcom Ranjit, pediu às autoridades que “castiguem sem piedade” os responsáveis pelos atentados deste domingo. “Quero pedir ao governo que conduza uma investigação sólida e imparcial para determinar os responsáveis por este ato. E também que os castigue sem piedade, pois apenas animais podem se comportar assim”, declarou. 

Com 21 milhões de habitantes, o Sri Lanka é um país majoritariamente budista que conta com cerca de 1,2 milhão de católicos. Segundo o censo do país feito em 2012, os budistas representam 70% da população, seguidos pelos hindus, com 12%, pelos muçulmanos, com 10%, e pelos cristãos, com 7%.

Autoridades condenam ataques

Durante as celebrações de Páscoa, no Vaticano, o Papa Francisco condenou o atentado. Ele afirmou que o episódio trouxe “pesar e sofrimento a várias igrejas e outros lugares de reunião em Sri Lanka”. O Papa chamou o atentado de “violência cruel” e afirmou estar “perto” das vítimas da tragédia. 

No Twitter, o presidente dos Estados UnidosDonald Trump, se referiu ao episódio como um “ataque terrorista” e disse que os “Estados Unidos oferecem sinceras condolências ao grande povo do Sri Lanka. Estamos prontos para ajudar!”.

O presidente da RússiaVladimir Putin , denunciou as séries de ataques como “cruéis e cínicas”. Em telegrama de condolências enviado ao líder do Sri Lanka, Putin disse que Moscou continua sendo um “parceiro confiável do Sri Lanka na luta contra o terrorismo internacional”. Ele acrescentou que os russos “compartilham a dor dos parentes dos mortos e desejam uma recuperação rápida para todos aqueles que foram feridos”.

A primeira-ministra do Reino UnidoTeresa May, disse no Twitter: “Os atos de violência contra igrejas e hotéis no Sri Lanka são realmente assustadores, e minhas mais profundas condolências vão para todos os afetados neste momento trágico. Devemos nos unir para garantir que ninguém nunca tenha que (praticar) sua fé com medo.”

O presidente da AlemanhaFrank-Walter Steinmeier, escreveu em uma mensagem ao seu homólogo cingalês estar “atordoado e horrorizado” com os “ataques terroristas covardes”. O chanceler austríaco Sebastian Kurz  escreveu no Twitter estar “profundamente abalado e preocupado com os ataques terroristas desonestos”.

A primeira-ministra da Nova ZelândiaJacinda Ardern, também condenou os ataques “devastadores” contra igrejas e hotéis no Sri Lanka. Em comunicado, Ardern se referiu aos disparos de 15 de março em duas mesquitas da cidade neozelandesa de Christchurch, nos quais 50 morreram. “A Nova Zelândia condena todos os atos de terrorismo e nossa posição só foi fortalecida pelo ataque em nosso solo”, disse Ardern. “A Nova Zelândia rejeita todas as formas de extremismo e defende a liberdade de religião e o direito de adoração com segurança.” 

O presidente da Comissão EuropeiaJean-Claude Juncker, recebeu com horror e tristeza os atentados em Sri Lanka. No Twitter, ele afirmou que a União Europeia estava pronta para ajudar o país.

O presidente da TurquiaRecep Tayyip Erdogan, chamou as explosões de “um ataque a toda a humanidade” e ofereceu suas condolências às famílias das vítimas e ao povo do Sri Lanka. 

BahreinCatar Emirados Árabes Unidos emitiram declarações por meio de seus ministérios de Relações Exteriores condenando os ataques. Os Emirados Árabes Unidos conclamaram “a comunidade internacional a fechar o cerco e erradicar o flagelo do terrorismo a fim de garantir a paz e a segurança internacionais”. O Catar disse querer enfatizar sua “firme posição em rejeitar a violência e o terrorismo”. O Bahrein afirmou que “esses atos de terrorismo são incompatíveis com princípios religiosos e valores humanos e morais”. 

Os atentados conta minorias religiosas estão voltando a se repetir. Em 2018, o governo declarou estado de emergência após os enfrentamentos entre muçulmanos e budistas resultarem na morte de duas pessoa e na prisão de dezenas. No Sri Lanka, a população cristã representa 7% do total, enquanto os budistas chegam aos 70%.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Estado de S.Paulo / https://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,explosoes-em-hoteis-e-igrejas-matam-mais-de-100-no-sri-lanka,70002798361  / AP, AFP, EFE e REUTERS

Foto: REUTERS